O Paraná tem, atualmente, segundo boletim mais recente, 32.409 casos ativos de Covid-19 confirmados – pacientes infectados pelo vírus que ainda não se recuperaram e que, por isso, podem infectar outras pessoas. O número corresponde a 44% dos 72.696 casos confirmados no estado. Destes, 38,4 mil já se recuperaram (53%) e outros 1.839 morreram em decorrência da doença causada pelo coronavírus.

O número de casos ativos dobrou em um mês – eram 16.757 em 30 de junho, mas o crescimento foi em menor proporção do que o do número de casos, que, no mesmo período, saltou de 22,6 mil para os mais de 72,6 mil desta quinta-feira, ou seja, mais do que triplicando. E essa diferença se deve ao grande aumento no número de pacientes considerados recuperados, que era de apenas 5.230 há um mês.

+Leia mais! Mais 20 moradores de Curitiba morrem infectados pelo coronavírus; novos casos são 496

Parte deste incremento significativo no número de recuperados pode ser atribuída à adoção dos testes rápidos como ferramenta oficial de confirmação de casos no estado. Como os testes rápidos detectam a presença de anticorpos para o coronavírus e não propriamente o vírus no sangue do paciente, a pessoa que testa positivo em um teste rápido já é considerada recuperada, uma vez que ela já teve contato com o vírus, provavelmente teve sintomas leves, e já desenvolveu anticorpos. Dos casos confirmados no Paraná, 6.478 foram diagnosticados por testes rápidos.

O número de casos ativos também vem registrando declínio nos últimos dias. No último domingo, eram 35.158 casos ativos da doença. Com 4.829 pacientes curados, dados da última quarta-feira, este número chegou a cair para 31,7 mil. Curva descendente que deu uma nova (leve) guinada nesta quinta-feira (30), de carona com o recorde de novos casos apontado no boletim epidemiológico da Sesa. O número de casos ativos subiu para 32,4 mil.

Infectologista questiona métrica

Médico infectologista do serviço de epidemiologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Bernardo Montesanti Machado de Almeida afirma que, em locais que não adotam política de testagem em massa, como o Paraná e o Brasil, este número de casos ativos a partir de casos confirmados tem pouca utilidade.

“É uma métrica, considerável, mas ela não tem muita utilidade. Se tivéssemos uma estratégia de testagem mais ampla, onde o número de casos diagnosticados seria próximo à realidade, poderia ser útil, mas dentro de uma política de testagem restrita, não, pois só testamos casos graves e casos leves em pessoas vulneráveis. Não são eles que estão transmitindo a doença, são os casos leves não diagnosticados”, diz. “Teoricamente, esses 31 mil pacientes estão sendo acompanhados, estão em tratamento médico ou estão em isolamento, monitorados pelo estado. Esse dado não representa, de forma consistente, as pessoas que estão transmitindo o vírus”, reforçou.

O médico propõe, inclusive, uma revisão na política de testagem, “Ela deveria ser focada não em quem é mais grave, pois esses serão internados de qualquer forma. Temos que focar a política de testagem em quem tem risco de transmissão, que são os casos leves. Países com eficácia na política de testagem têm taxa de positividade mais baixa – menos de 1% dos testes dão positivo. Isso é sinal de que o número de testes é grande. E em números absolutos, acabam diagnosticando mais do que países que fazem 5% de positividade”, compara. O Paraná fez, até esta quinta-feira, 457,3 mil testes RT-PCR, que diagnostica a doença em fase ativa, tendo 65738 confirmações, um índice de positivação de 14%.

O médico diz ser difícil prever o tamanho da subnotificação no estado, mas cita uma fórmula utilizada para se fazer uma projeção do número total de pessoas infectadas. “Com todos esses meses de situação de pandemia no mundo, chegou-se a uma estimativa de letalidade de 0,7% para essa doença, então, a fórmula mais próxima de se estimar um número total de casos é considerar que o número de óbitos equivalha a 0,7% do total de casos”. Por essa projeção, o Paraná teria, hoje, 262 mil pessoas que já tiveram contato com o vírus, 3,6 vezes mais que o número de casos registrados. Com o número estimado de casos ativos também sendo projetado nas mesmas projeções, seriam 116 mil pessoas com potencial de estar transmitindo o vírus no estado hoje.