Agência Nacional de Aviação Civil

Após morte de piloto no Paraná, Anac pede fim do “banho de óleo” em escolas de aviação

Óleo desencadeou reação alérgica grave em jovem de 27 anos. Foto: Arquivo/André Rodrigues/Gazeta do Povo.

Após a morte do engenheiro Gustavo Lara, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) orientou escolas de aviação e aeroclubes a abandonarem práticas que coloquem alunos em risco, como o chamado “banho de óleo”. Segundo a agência, produtos químicos utilizados na aviação podem causar graves danos à saúde e não devem entrar em contato com a pele.

O contato com óleo de motor de aeronave é apontado como a causa da reação alérgica grave que levou à morte de Gustavo Lara, de 27 anos, na última quinta-feira (16), nos Campos Gerais do Paraná. O engenheiro havia acabado de concluir seu primeiro voo solo, etapa considerada um marco na formação de pilotos, e recebeu um banho de óleo como forma de celebração.

Logo após o ritual, Gustavo sofreu uma reação anafilática e teve três paradas cardiorrespiratórias. Equipes do Samu tentaram reanimá-lo ainda no local e durante o atendimento hospitalar, mas ele não resistiu. As circunstâncias da morte são investigadas pela Polícia Civil do Paraná (PCPR).

Em nota divulgada nesta sexta-feira (17), a Anac ressaltou que óleos e lubrificantes aeronáuticos já trazem em seus rótulos a orientação para evitar contato com a pele. A agência também recomendou que escolas e aeroclubes revejam tradições que possam colocar alunos em risco.

“É essencial repensar os ritos de conclusão de etapas da formação e garantir que qualquer manifestação seja conduzida de forma responsável, sem expor alunos, instrutores ou terceiros a risco”, afirmou a Anac.

A agência também lamentou a morte do jovem e prestou solidariedade aos familiares. O corpo de Gustavo está sendo sepultado neste sábado (18), em Ipiranga, nos Campos Gerais.

Quais são os sinais de uma reação alérgica grave?

Segundo o Ministério da Saúde, a reação alérgica grave, conhecida como anafilaxia, pode evoluir para choque anafilático e representa uma emergência médica. Os sintomas costumam surgir poucos minutos ou horas após o contato com o agente causador.

Entre os principais sinais de alerta estão dificuldade intensa para respirar, chiado no peito, rouquidão súbita, inchaço na garganta ou na língua, queda brusca da pressão arterial, tontura, desmaio, suor frio, palidez e aceleração dos batimentos cardíacos.

O Ministério da Saúde orienta que qualquer suspeita de anafilaxia seja tratada como situação de risco de vida. A recomendação é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, ou levar o paciente ao pronto-socorro mais próximo.

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