O 4º Fórum Social Pan-Amazônico (FSPA), que acontece até o próximo sábado, segue a dinâmica dos eventos semelhantes organizados em 142 países, segundo o comitê internacional do Fórum Social Mundial (FSM). Pela manhã, acontecem conferências sobre os eixos propostos para a discussão. No caso do Pan-Amazônico este ano, "Soberania, Paz e Sociobiodiversidade". Por dia, acontece uma conferência para cada tema, cada uma em um diferente local.

Na parte da tarde, ocorrem os eventos organizados pelas entidades inscritas no fórum. "Esses eventos, ninguém controla, ninguém sabe quem vem realmente e quem não vem. Só fazemos um controle mínimo para que não apareça alguém do narcotráfico, por exemplo. Só fornecemos infra-estrutura, cadeiras, mesas, microfones", explica Jose Luiz Del Roio, do Comitê Internacional do FSM.

Assim, é comum no fórum que os participantes procurem oficinas, reuniões, assembléias que simplesmente não se realizam. Também é comum que outros eventos absorvam o público que procurava participar de uma determinada discussão. O repórter acompanhou ontem à tarde algumas dessas oficinas, em um dos locais onde se realiza o IV FSPA.

Na sala de aula do Colégio Brasileiro, um pequeno cartaz anuncia "Protagonismo Juvenil na Amazônia". O calor úmido da beira do rio Amazonas não impede que mais de 40 jovens ouçam com atenção as diversas narrações dos que se levantam, sob aplausos e abanos. Outro segura perto do expositor um gravador, com um adesivo de uma rádio comunitária da região. "Pará sem Homofobia", está escrito na camiseta do que fala agora. "E nós também achamos que é preciso incentivar as mais diversas expressões de amor entre os seres humanos", diz.

No pátio ao lado do prédio do colégio, um grupo de mais de 50 pessoas, desde meninos com penteados "black" e camisetas do grupo de rap Racionais MC´s até um índio com calça militar, bigode e longos cabelos negros, ao lado de um homem com uma boina "à Chávez", representando um órgão de articulação social da prefeitura de Caracas. Uma mulher com boné nas cores da bandeira venezuelana também grava tudo com sua câmera digital.

O tema da conversa deveria ser o Congresso das Cidades, uma experiência da prefeitura de Belém durante a administração petista de Edmilson Rodrigues, encerrada no último mês de dezembro, mas fala-se de tudo um pouco, desde a organização social na Venezuela, até da luta dos indígenas colombianos. A certo momento, um participante conclama: "Viva a Amazônia! Viva Bolívar! Viva a América Latina!", no que é seguido por todos. Uma mulher canta, acompanhada de um chocalho, os rappers improvisam a batida com a boca e rimam ali mesmo, com apoio das palmas.