A vitória do "não" à reforma constitucional proposta pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, representa a vontade do povo que deseja a democracia e a alternância de poder, declararam hoje lideres e governantes latino-americanos. Ao mesmo tempo, eles elogiaram Chávez por ter aceitado a derrota. "A vontade da maioria tem de ser respeitada. O Chávez reconheceu isso", comentou nesta segunda-feira (3) o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. "O povo venezuelano ratificou sua vontade por uma democracia de alternância e isso é muito importante", disse por sua vez o presidente do Peru, Alan García. Ainda segundo ele, "seria mesquinho não admitir que Chávez agiu democraticamente".

Em Washington, o Departamento de Estado dos Estados Unidos qualificou como "positiva" a vitória do "não" à reforma constitucional. "Esta é uma clara mensagem do povo venezuelano de que não deseja que sua democracia e suas instituições continuem sendo carcomidas", disse Sean McCormack, porta-voz da chancelaria americana. Em Buenos Aires, Oscar González, secretário-geral do Partido Socialista, que apóia o presidente Néstor Kirchner, amigo de Chávez, observou que a atitude do líder venezuelano "fortalece as instituições democráticas e desmente a campanha internacional com a qual tenta-se apresentar Chávez como um autocrata de tendências ditatoriais".

O governo da Colômbia não se pronunciou sobre o resultado. As relações entre os dois países ficaram estremecidas há cerca de duas semanas, depois que o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, cancelou a mediação protagonizada por Chávez na busca por uma troca de reféns entre o governo estabelecido em Bogotá e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, principal grupo guerrilheiro do país.