A francesa que admitiu ter sufocado oito filhos recém-nascidos e escondido seus corpos no jardim e na garagem de sua casa foi acusada de homicídio, informou hoje o promotor Eric Vaillant. Dominique Cottrez disse que nunca mais quis ver um médico após uma experiência ruim com sua primeira gravidez. A auxiliar de enfermagem, de 46 anos, disse que fez sozinha os partos.

Segundo o promotor, ela colocou os corpos em sacos plásticos, enterrou dois dos recém-nascidos no jardim e escondeu os demais na garagem. “Ela explicou que não queria mais filhos e que não queria ir ao médico para tomar anticoncepcionais”, disse Vaillant, em encontro com jornalistas. “Ela estava perfeitamente consciente do fato de estar grávida”, acrescentou.

Cottrez e seu marido, Pierre-Marie Cottrez, foram presos ontem depois que dois corpos foram descobertos, em sacos plásticos, pelos novos proprietários da casa que pertencera ao pai da auxiliar de enfermagem, na cidade de Villers-au-Tertre, norte da França. Durante interrogatório, a mulher admitiu que havia mais seis corpos no local.

A mulher continua presa e será submetida a exames psiquiátricos, disse Vaillant. Seu marido foi libertado e não foi formalmente acusado, embora continue sob supervisão judicial. Ele afirmou não saber da gravidez de sua mulher. Ela é obesa, o que aparentemente ajudava a esconder a existência de um bebê.

As filhas mais velhas do casal, que estão na faixa dos 20 anos, foram interrogadas, disse Vaillant, que se recusou a dar mais detalhes sobre elas ou sobre o que disseram. A polícia lacrou portas, janelas e o portão da casa onde os restos mortais de alguns bebês foram encontrados. Testes de DNA estão sendo feitos para que se determine com certeza a paternidade das crianças. Autópsias também são feitas na tentativa de saber a causa das mortes.

Casos

Nos últimos anos, a França tem registrado uma série de casos de mães que matam seus recém-nascidos e mantém e escondem os corpos. Em um dos casos, Celine Lesage foi condenada a 15 anos de prisão em março após reconhecer no tribunal que matara seis de seus recém-nascidos, cujos corpos foram encontrados em sacos plásticos no porão de sua casa, no noroeste da França.

Já Veronique Courjault foi condenada no ano passado pelo assassinado de seus recém-nascidos. Seu marido descobriu dois dos corpos num freezer enquanto os dois viviam na Coreia do Sul. Durante o julgamento, psiquiatras afirmaram que ela sofre de uma doença psicológica conhecida como “negação da maternidade”.

Na Alemanha também foram registrados casos semelhantes. Em um deles, uma mulher foi condenada em 2006 pelo assassinato de oito de seus recém-nascidos e por enterrá-los em vasos de flores e num tanque de peixes no jardim da casa de seus pais, perto da fronteira entre a Alemanha e a Polônia.