Após dez dias cruzando o vazio do espaço e contornando a face oculta da Lua, a missão Artemis II chega hoje ao seu momento mais crítico. Nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026, os quatro astronautas a bordo da cápsula Orion deixam de ser exploradores lunares para enfrentar o desafio físico mais extremo da jornada: o retorno à Terra.
O Desafio dos 2.700°C
A fase de reentrada é frequentemente chamada de “batismo de fogo”. Diferente das naves que retornam da Estação Espacial Internacional (ISS), a Orion vem de uma trajetória lunar, o que significa que ela atinge a atmosfera terrestre a uma velocidade muito superior: cerca de 40.000 km/h.
O escudo térmico da nave, o maior e mais avançado já construído, terá que suportar temperaturas que chegam a 2.760°C — quase metade da temperatura da superfície do Sol. Durante esse processo, o atrito com o ar transforma a energia cinética em calor, criando um rastro de plasma que impede qualquer comunicação via rádio com a NASA por aproximadamente seis minutos.
A Manobra “Skip Entry”
Uma das grandes inovações desta missão é a manobra de entrada com salto (skip entry). A Orion entrará brevemente na atmosfera superior, sairá novamente e então mergulhará de vez. Essa técnica permite que a cápsula “plane” sobre as camadas de ar, reduzindo as forças de gravidade sobre os astronautas e permitindo um pouso muito mais preciso no local de resgate.

O Momento do Splashdown
Se tudo ocorrer conforme o planejado, a sequência final de paraquedas será acionada a poucos quilômetros de altitude. Três enormes paraquedas principais, decorados com as icônicas listras vermelhas e brancas, reduzirão a velocidade da queda para apenas 27 km/h.
O destino final é o Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego. Lá, o navio de resgate da Marinha dos EUA já aguarda para receber Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, encerrando o capítulo que pavimenta o caminho para o próximo passo da humanidade: o pouso no polo sul lunar.
Assista aqui a missão ao vivo:
Diário de Bordo: Os Últimos Ajustes
Recentemente, a espaçonave Orion acionou seus propulsores por 9 segundos, produzindo uma aceleração de 1,6 metros por segundo e impulsionando a tripulação em direção à Terra. Com essa manobra, os astronautas já percorreram mais da metade do caminho de volta para casa.
Nem tudo foi silêncio no vácuo: aproximadamente duas horas antes da ignição, houve uma perda inesperada de sinal no link de retorno durante uma mudança na taxa de dados, afetando a transmissão de comunicações e telemetria. Felizmente, as comunicações bidirecionais foram restabelecidas rapidamente e os controladores de voo retomaram os preparativos para a queima de motor.
Hoje cedo, a NASA realizou uma reunião informativa confirmando que a terceira queima de correção de trajetória está programada para as 13h53 deste dia 10, preparando o ângulo exato para o mergulho final na atmosfera.



