O ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, defendeu hoje a ampliação de investimentos públicos em infra-estrutura e incentivo à inovação tecnológica, para reduzir as desigualdades regionais. Ele disse que é necessário encontrar caminhos, definir metas e fixar objetivos, para promover uma distribuição de renda mais equilibrada no território nacional.

De acordo com o ministro, o desafio a ser enfrentado é promover o equilíbrio entre geração de renda e conhecimento. Campos citou como exemplo o Sudeste, que detém 63% dos cientistas e é responsável por 57% do produto Interno Bruto (PIB – a soma de todas as riquezas produzidas no país), enquanto o Nordeste concentra apenas 12% dos pesquisadores e produz um PIB de 13%.

"A região sudeste sobressai por outros fatores. Seus pesquisadores respondem por 69,1% do total de artigos publicados em revistas científicas do país e por 79,8% das transferências de tecnologia de instituições de pesquisa para as empresas", afirmou. O ministro lembrou que levantamento recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) constatou que as firmas responsáveis pela inovação de produtos estão distribuídas em apenas 465 dos 5.507 municípios brasileiros.

O ministro afirmou que enquanto o maior conglomerado industrial está concentrado em São Paulo, com 120 cidades responsáveis por 42% da produção industrial brasileira, o Nordeste dispõe apenas de pólos de desenvolvimento em quatro estados, (Pernambuco, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte) que abrangem 25 municípios, respondendo por 6% da produção. Para ele, a busca do equilíbrio na área de tecnologia avançada vai além da simples transferência de recursos federais para as regiões menos desenvolvidas.

Campos anunciou que o Nordeste será beneficiado pelo Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas (Pappe), que financia estudos científicos e o desenvolvimento de produtos e processos inovadores, com contrapartida financeira dos estados. Disse ainda que os compromissos do atual governo com o Nordeste estão evidenciados em projetos estruturadores, a exemplo da revitalização e transposição das águas do Rio São Francisco, da construção da ferrovia transnordestina e da implantação da fábrica de hemoderivados.

"Esses são os primeiros passos para que o Nordeste possa vencer o fosso aberto por décadas de prevalência de uma visão restrita sobre a importância de investir em programas e projetos de ciência e tecnologia", disse.

O ministro abriu hoje o seminário sobre o desenvolvimento do Nordeste, que reuniu em Recife empresários ligados aos setores de turismo, tecnologia, agronegócio, além de representantes de instituições financeiras e empresas estatais.