Até agora, o governo brasileiro investiu cerca de US$ 10 milhões na formação do tenente-coronel aviador Marcos Cesar Pontes. Para a inclusão do astronauta brasileiro na nave russa Soyuz, devem ser necessários outros US$ 10 milhões. A informação é do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Sergio Gaudenzi.

"Ele estava na fila para voar, mas foram suspensos os vôos. Nesse último vôo houve de novo um problema. Com isso, a fila ficou enorme e nós corríamos o risco de ter gasto esse recurso para treinar um astronauta e depois ele não voar", disse. Estão incluídos neste cálculo custos com o vôo até a estação, com o peso da bagagem dos experimentos e com o canal de voz que será usado para manter contato com o Brasil durante a missão.

De acordo com Gaudenzi, a primeira viagem do brasileiro será com mais dois astronautas russos para uma missão de dez dias. Pontes levará experimentos científicos de niversidades e empresas brasileiras, como a Petrobras. A AEB deve concluir a seleção das pesquisas em janeiro. Serão levados 15 quilos de material para experiência e apenas cinco quilos poderão ser trazidos de volta à Terra. "Cinco quilos ele trará de volta, serão os que terão que ser passados por exame aqui para ver como se comportaram". O restante terá que ser descartado como lixo espacial.

O tenente coronel aviador Marcos Cesar Pontes foi selecionado em julho de 1998, pela AEB, para participar do treinamento para astronauta da Nasa no Johnson Space Center em Houston (Texas). Pontes concorreu com uma turma de 32 candidatos, dos quais apenas seis eram estrangeiros – um do Brasil, dois da Itália, um da Alemanha, um da Franca e um do Canadá. Depois do treinamento inicial, ele passou a fazer parte da tripulação da Nasa.

Natural de Bauru (SP), Pontes é mestre em Engenharia de Sistemas, graduado pela Naval Postgraduate School, na Califórnia. Iniciou sua carreira profissional como eletricista da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) aos 14 anos como aluno do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Ingressou na Academia da Força Aérea em 1981, permanecendo nos Esquadrões de Caça ate 1988 com a qualificação de instrutor e líder de esquadrilha e engenheiro aeronáutico, formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Atuou como piloto de provas de aeronaves pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e conta com mais de 1.900 horas de vôo em 25 tipos de aeronaves, incluindo F-15, F-16, F-18 e MIG-29. Tem experiência de 16 anos na área de segurança de vôo, trabalhando em inúmeras campanhas de prevenção e investigação de acidentes aeronáuticos, incluindo o ônibus espacial Columbia.