O vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, disse nesta segunda-feira (17) em Curitiba que o surgimento de outros focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul torna a situação ainda mais grave para a economia do País. ?Os reflexos do que acontece no Estado vizinho afeta o Brasil como um todo. Estamos muito preocupados, embora não temos aftosa no Paraná há mais de 10 anos?, afirmou Pessuti durante o IV Encontro Paranaense dos Conselhos Intermunicipais e Municipais de Sanidade Agropecuária (CSA).

Segundo Pessuti, o encontro discutiu os preparativos para a segunda etapa da campanha de vacinação contra a aftosa, que acontece a partir de 1.º de novembro. ?O evento já estava marcado antes mesmo do surgimento do foco da doença no Mato Grosso Sul. Com o aparecimento do problema, aproveitamos para discutir a situação e unir forças para que o vírus não atinja o Paraná?, afirmou.

O secretário, que também é o presidente do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa), pediu aos representantes dos conselhos de Sanidade Agropecuária que criem os CSAs nos municípios que ainda não possuem. ?Não basta criar onde não há. O mais importante é fortalecer, revigorar e revitalizar os conselhos de Sanidade Agropecuária?, destacou. No Paraná, existem 161 conselhos municipais e intermunicipais de sanidade agropecuária.

O diretor-geral da Secretaria da Agricultura, Newton Pohl Ribas, destacou que o Brasil só vai resolver o problema da aftosa por meio da educação sanitária. ?Barreiras e ações policiais não impedem a entrada do vírus?, comentou. Ribas citou que, na semana, enquanto secretário da Agricultura em exercício, tomou medidas que não foram compreendidas por algumas pessoas. ?Entre outras, cheguei a interditar a Expo Toledo. Isto porque dias antes da abertura do evento animais do Mato Grosso do Sul foram levados para lá?, lembrou.

As medidas

A Secretaria da Agricultura determinou oficialmente na sexta-feira (14) a proibição do ingresso no Paraná de animais vivos, seus produtos e subprodutos, materiais de multiplicação genética, procedentes ou que transitem pelos Estados do Mato Grosso do Sul, Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Sergipe.

A proibição é extensiva aos Estados que não tenham estabelecido restrição ao ingresso de animais do Mato Grosso do Sul, onde foi detectado o primeiro foco de febre aftosa, no município de Eldorado. Está proibido também o ingresso de vegetais, partes de vegetais e subprodutos in natura, oriundos ou que transitem pelos municípios de Itaquiraí, Iguatemi, Japorã, Mundo Novo e Eldorado, todos do Mato Grosso do Sul.

Foi determinado ainda que sejam vistoriados e desinfectados todos os veículos procedentes do MS, bem como o rastreamento, localização e exame clínico de todos os animais suscetíveis que ingressaram no Paraná, procedentes daquele estado, nos últimos 60 dias.

Também determinou a interdição e acompanhamento das propriedades que receberam ou que tiveram contato direto ou indireto com animais vindos de Itaquiraí, Iguatemi, Japorã, Mundo Novo ou com a propriedade foco no município de Eldorado, nos últimos dois meses. Esta interdição permanecerá por 21 dias a partir da data do ingresso no Paraná ou até que a propriedade foco no Mato Grosso do Sul seja saneada e desinfectada.

A resolução também determina a interdição de todos os rebanhos onde haja espécies suscetíveis à doença, localizados num raio de 25 quilômetros da propriedade foco, coletando amostragem sorológica dos animais localizados nessa área. Os animais poderão ser liberados somente para abate imediato, mediante carga lacrada e acompanhamento da mesma.

A Secretaria mantém a vigilância volante e intensificada nos pontos de ingresso do Estado de São Paulo, da região noroeste do Paraná, buscando desinfecção e controle de cargas oriundas do Mato Grosso do Sul e que estejam passando pelo estado de São Paulo. Vai ainda manter unidades móveis de fiscalização e desinfecção do trânsito, nas vias de acesso aos postos de fronteiras internacionais, em apoio às ações do Ministério da Agricultura.

?Diante da ocorrência de febre aftosa no Estado vizinho, temos que manter estado de alerta máximo?, justificou o diretor-geral da Secretaria. Para ele, medida visa resguardar o patrimônio agropecuário do Estado.

Ribas afirmou que na luta contra a aftosa o Paraná age de acordo com os procedimentos exigidos pela OIE (Organização Internacional de Epizootias). Por isso, instalou o Conesa, uma certificadora de sanidade e um fundo de emergência sanitária, representado pelo Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Estado do Paraná (Fundepec-PR). ?Atualmente, graças aos criadores do Estado, o Fundepec tem cerca de R$ 20 milhões . Estes recursos só serão aplicados em caso de emergência sanitária?, afirmou.

Entre as iniciativas da Secretaria da Agricultura no combate ao vírus, foram destacadas a vacinação em maio, durante a primeira etapa da campanha, de 98,8% das 10 milhões de cabeças de gado que o Paraná possui, a contratação de 87 técnicos, a compra de 10 veículos e computadores, o desenvolvimento de um software em parceria com o Simepar, usado na rastreabilidade dos animais, além de reuniões do Codesul (Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul.

O presidente do Fundepec-PR, Ágide Meneguette, lembrou que a obrigação de combater a aftosa é do governo e dos pecuaristas. ?Trabalhamos muito para ter um Estado livre do vírus. Mas o perigo não passou. Com o passar do tempo, será que não relaxamos a nossa ação??, questionou.

Meneguette criticou aqueles produtores que chegam a comprar a vacina, têm nota fiscal mas não fazem a imunização. ?Só para não terem trabalho?, denunciou. Quanto à responsabilidade de cada um na luta contra a aftosa, o presidente do Fundepec alertou que todos devem refletir sobre o papel de cada um na batalha contra o vírus. ?O ditado popular diz que a união faz a força. Precisamos dessa unidade para manter nosso status de Estado livre da doença?, concluiu.