União Européia descarta acerto com Mercosul

Para a União Européia (UE), o que o Brasil não conseguiu na Organização Mundial do Comércio (OMC) em termos de acesso a mercados também não conseguirá em eventual acordo bilateral entre o bloco europeu e o Mercosul. O alerta é da comissária de Agricultura da UE, Marianne Fischer Boel. "Se o Brasil pensa que conseguirá os mesmos resultados nas negociações bilaterais que conseguiria aqui, está muito errado", afirmou. Diplomatas europeus afirmaram que se o chanceler Celso Amorim mantiver comportamento de rigidez na abertura do setor industrial nas negociações entre Mercosul e Europa, Bruxelas dificilmente aceitará até mesmo agendar reuniões.

A declaração é um banho de água fria na estratégia do Itamaraty de conseguir, por acordos bilaterais, acesso a mercados que o Brasil não conseguiria na OMC. Há três dias, Amorim disse que voltaria a debater o acordo entre Europa e Mercosul. A idéia é que as regras gerais do novo sistema comercial sejam estabelecidas na OMC e que novos cortes de tarifas de importação ocorram em acertos entre grupos restritos de países.

Segundo Fischer Boel, a Europa "jamais poderá oferecer algo da magnitude que ofereceu na OMC nos acordos bilaterais". As declarações ainda podem ser prejudiciais à iniciativa da Comissão Européia. Amorim minimizou as declarações. "Os europeus têm tanto interesse como nós nas negociações.

Recente estudo da Comissão Européia mostra que Bruxelas ganharia cinco vezes mais em um acordo com a Ásia do que com o Mercosul. Em 4 de julho, o presidente Lula estará em Bruxelas para reunião de cúpula com a Europa. O tema deve ressurgir. Os americanos também declararam que não há possibilidade de acordo com o Brasil diante desse contexto. Questionada sobre o tema, a representante de Comércio dos EUA, Susan Schwab, caiu na gargalhada.

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