O fundo de pensão e previdência dos funcionários paraguaios da usina de Itaipu confirmou ter R$ 86 milhões (o equivalente a G$ 100,692 bilhões em guarani, moeda oficial do país) em investimentos no Ueno Bank, instituição financeira liquidada pelo Banco Central do Paraguai, no dia 3 de novembro. O caso iniciou nova crise política no país e causou a renúncia do presidente Santiago Peña, em 5 de novembro. Ele acabou sofrendo um impeachment no dia seguinte e investimentos de paraguaios foram bloqueados, causando ainda mais temor aos aposentados.
Segundo a Itaipu Binacional não há recursos financeiros sob gestão da margem brasileira depositados ou aplicados no Ueno Bank. O montante investido no fundo de trabalhadores paraguaios da Itaipu foi anunciado pela Cajubi (Caja Paraguaya de Jubilaciones y Pensiones del Personal de la Itaipú Binacional) e representa 2,8% de seus ativos financeiros e não financeiros. “Esta participação reflete uma exposição limitada dentro do património total administrado pela Caixa e uma carteira diversificada entre diferentes tipos de ativos e instituições”, disse a Cajubi, em nota.
De acordo com a entidade financeira paraguaia, a escolha do Ueno Bank baseou-se em critérios técnicos e objetivos, respaldados por indicadores financeiros, informações públicas oficiais e parâmetros regulatórios estabelecidos pelo Banco Central do Paraguai (BCP), “com demonstrações financeiras auditadas que refletiam indicadores favoráveis sobre a situação patrimonial e financeira, incluindo níveis adequados de solvência do Ueno Bank e, além disso, contava com classificação de risco AA-py, divulgada pelo órgão regulador”.
A Cajubi afirma que as operações foram realizadas no âmbito de sua política de investimentos e dos procedimentos vigentes e garante manter vigilância permanente sobre o caso. “Não pouparemos esforços para a recuperação do Patrimônio dos Afiliados.”
Em comunicado, o Ueno Bank garantiu que aposentadorias e pensões continuarão a ser pagas normalmente, mantendo datas oficiais do calendário institucional.
Trabalhadores brasileiros
Do lado brasileiro, a Itaipu Binacional informou que não há recursos financeiros sob gestão da margem brasileira depositados ou aplicados no Ueno Bank. “As aplicações financeiras da entidade seguem normas e procedimentos internos, observando critérios de segurança, liquidez e rentabilidade, e sua gestão observa as competências estabelecidas para cada margem. A operação da Itaipu segue normalmente, sem impacto na produção e no fornecimento de energia”, afirma nota enviada à Tribuna.
Brasil e Paraguai dividem a gestão da Itaipu, maior usina hidrelétrica do mundo, desde 1973. Ela é responsável por cerca de 17% da energia elétrica consumida nos dois países.
Crise bancária congela milhões em economias de paraguaios
A intervenção do Banco Ueno foi decretada pelo Banco Central do Paraguai, que identificou índice de solvência abaixo da metade do mínimo exigido. Este índice mede a capacidade de absorver perdas. Com a decisão do governo, milhões em recursos públicos e privados foram bloqueados, prejudicando três milhões de clientes – quase metade da população adulta do país, que não consegue mais acessar suas economias.
O Banco Central do Paraguai ainda não informou como vai resolver o problema, mas garantiu que o caso é pontual e isolado e que o sistema financeiro do país continua “sólido e saudável”.
A crise teve início em 2023, quando o presidente paraguaio nomeou o presidente-executivo do Ueno Bank, Carlos Carvalho, como presidente do Banco Central do Paraguai. Carvalho renunciou no mesmo dia que a intervenção foi anunciada, resultando na prisão de outros dirigentes do Ueno.
TÍTULO SEO:
TÍTULO DISCOVER:
PALAVRA-CHAVE PRINCIPAL: Ueno Bank Itaipu [volume: médio]
PALAVRAS-CHAVE SECUNDÁRIAS: banco liquidado Paraguai, Cajubi Itaipu, crise bancária Paraguai, fundo pensão Itaipu, Ueno Bank bloqueio
SLUG:
METADESCRIÇÃO: Cajubi confirma investimento no Ueno Bank liquidado pelo BC paraguaio. Crise atinge 3 milhões de clientes e provoca impeachment. Leia mais na Tribuna do Paraná
CHAPÉU:
