Com a recomendação do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, o economista Alexandre Antônio Tombini foi aprovado ontem para o cargo de diretor de Estudos Especiais do Banco Central em sabatina promovida pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. Fraga havia telefonado anteontem à noite para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), recomendando o nome de Tombini. O mesmo fez Murilo Portugal, atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda, mas que foi secretário do Tesouro Nacional no governo FHC.

O economista defendeu o sistema de metas de inflação que, em sua avaliação, dão credibilidade e flexibilidade à autoridade monetária. ?Nos quase seis anos desde sua implantação, o sistema tem obtido sucesso como instrumento de coordenação das expectativas e de controle da inflação, especialmente tendo-se em conta a dimensão e a freqüência dos choques que atingiram a economia do período?, disse.

Ele ajudou na implementação do sistema de metas de inflação, em 1999. Na época, ocupava o cargo de chefe do Departamento de Pesquisas do BC.

Tombini disse ainda que é necessário ter disciplina e ser intransigente com a inflação.

Tombini disse ser contra aos ajustes da meta de inflação, que é de 4,5% neste ano, com intervalo de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo. O BC trabalha com um objetivo de 5,1%. Para ele, ao ajustar as metas, ajusta-se também as expectativas de inflação dos agentes de mercado. No entanto, ele admite que é difícil acertar a meta. ?Para atingir uma meta você tem que contar com todo tipo de instrumento, inclusive sorte.?

Sobre taxa de juros, ele admite que está em um nível elevado – a taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 19,75% ao ano -, mas ela é ?infelizmente? necessária.