Ao mudar o teor do comunicado que acompanhou sua decisão de elevar a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 14,25% ao ano, o Banco Central praticamente selou o fim do ciclo de aperto de juros. Essa é a avaliação do economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, a partir do trecho em que a autoridade monetária diz entender que é preciso manter o juro básico no patamar atual para a convergência da inflação no fim de 2016.

Com isso, os juros futuros de curto prazo devem passar por uma correção de baixa nesta quinta-feira, sobretudo entre os vencimentos para outubro de 2015 até janeiro de 2017. “No caso dos vencimentos curtíssimos, o recuo deve ser maior, com a retirada de boa parte da precificação que indicava um aperto adicional de 0,25 ponto porcentual”, afirmou Serrano. Hoje, além do aperto ratificado pelo BC, de 0,50 ponto, os juros futuros embutiam mais 22,85 pontos-base de alta para a Selic em setembro.

No seu comunicado, depois de dizer que decidiu elevar a Selic em 0,50 ponto, por unanimidade, ao avaliar “o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos”, o Copom disse entender “que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016”.

Volpon

Para Serrano, o fato de o diretor de Assuntos Internacional, Tony Volpon, não ter votado, é positivo para diminuir os ruídos causados por suas recentes declarações. “Acho que isso será bem-visto, para minimizar as críticas”, afirmou o economista do Besi em referência a Volpon. Na segunda-feira da semana passada, durante evento em São Paulo, Volpon disse que voltaria pelo aumento dos juros para que a inflação atingisse a meta em 2016. A declaração foi alvo de críticas, especialmente entre alguns senadores, que prometeram pedir explicações ao diretor.