Curitiba registrou no último mês mais de 5 mil imóveis anunciados na plataforma Airbnb, com aproximadamente 4 mil unidades distribuídas principalmente em bairros como Centro, Água Verde e Batel. As locações de curta duração, estimuladas pelo turismo de eventos ganham cada vez mais espaço na capital. A taxa média de ocupação destes imóveis gira em torno de 64%
Carlos Eduardo Canto, presidente da Confraria Imobiliária de Curitiba, afirma que o shortstay (estadas curtas) representa um formato que veio para ficar. De acordo com ele, os incentivos oferecidos pela Prefeitura de Curitiba, juntamente com programas de revitalização da área central, contribuem decisivamente para essa transformação no perfil do mercado.
“Essas ações resgatam um coração da cidade que não estava pulsando e a partir daí muitos empreendimentos e investidores se voltaram para essa região, que favorece esse tipo de locação”, explica.
Canto observa que os investidores compreenderam rapidamente a mudança no perfil dos turistas. “Muitas vezes a rede hoteleira não consegue absorver a demanda de turistas ou pessoas que vêm para passar um pequeno período e isso já chamou a atenção para o setor imobiliário, que tem investido em estúdios ou apartamentos para esse fim”.
Fernanda Feres, CEO da Shortstay, plataforma curitibana de locações, menciona o impacto que o crescimento do turismo provoca nos negócios. “Essa tendência vinha crescendo, temos um perfil de pessoas que não conseguem se encaixar nas burocracias da locação tradicional, por exemplo. A partir daí, criamos um círculo positivo, com a ampliação do turismo, tecnologia, e pessoas que buscam comodidades para um curto período”, avalia.
Já Filipe Casagrande, CEO da Yogha Gestão e Hospitalidade, destaca o novo perfil e o crescimento no número de pessoas que adotam esse modelo de estadia. “O shortstay possibilita uma prestação de serviços diferenciada, antes muito utilizada pelos nômades digitais. Atualmente se ampliou o público e temos todos os perfis, seja para o turismo de eventos, acompanhamento de parentes em hospitais e tudo isso pode ser feito de forma rápida, sem as burocracias de um inquilinato tradicional”, detalha.
Setor de eventos comemora
Pier Petruziello, vereador autor de projeto de lei que incentiva a realização de eventos, celebra o impacto provocado na cidade. “O impacto econômico é na cidade inteira. Porque vai além da hotelaria, dos restaurantes, dos produtores de eventos e do transporte. Impacta no pequeno comerciante, no ambulante, na geração de empregos fixos e temporários de cidadãos de todos os bairros”.
O vereador também enfatiza o impulso dado ao turismo com a redução da alíquota de ISS. “Se você olhar para o período anterior à redução do ISS vai notar que Curitiba teve um bom período com poucos eventos, perdendo inclusive grandes shows internacionais para Porto Alegre e Florianópolis. Com a redução não só recuperamos o espaço que tínhamos, como o ampliamos”, conclui o vereador.
Fábio Aguayo, presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar) e Sindicato das Empresas Promotoras de Eventos do Estado do Paraná (Sindiprom), ambas entidades membro da Confederação Nacional de Turismo (CNTur), ressalta as mudanças tributárias como fator de incentivo.
“A alteração no ISS de 5% para 2% impactou nosso setor de forma muito positiva. A cidade está bem estruturada, estamos entre os maiores polos de turistas, de acolhimento, somos a quarta maior do cidade do País nesse índice”.
O Natal de Curitiba 2025 desempenhou papel relevante nesse movimento, com expectativa de receber 2,5 milhões de visitantes, superando os 2,2 milhões do ano anterior. Em dezembro de 2025, a ocupação hoteleira manteve patamares elevados, avançando de 63,37% para 65,98% comparado a 2024, enquanto a diária média dos hotéis registrou aumento de 13%, consolidando ainda mais o desempenho financeiro do setor.
