Após registrar estabilidade no último trimestre do ano, a confiança dos pequenos e médios empresários brasileiros voltou a cair com força. Segundo estudo divulgado nesta quarta-feira, 17, pelo Insper, com apoio do Santander, o indicador referente ao primeiro trimestre de 2015 recuou 7,2% na comparação com o dado do quarto trimestre deste ano, para 58,9 pontos. A retração foi puxada pela indústria, que teve baixa de 8,5%, mas comércio (-7,1%) e serviços (-6,4%) também registraram recuo.

O Índice de Confiança do Empresário de Pequenos e Médios Negócios (IC-PMN) é formado pela percepção de gestores de companhias com faturamento de até R$ 80 milhões. A pesquisa reflete as perspectivas deste grupo com relação ao futuro da economia, do seu setor e do próprio negócio. Para a pesquisa em relação ao primeiro trimestre de 2015, foram entrevistadas 1.318 pessoas. Desse total, 49% são da região Sudeste, 23% do Sul, 15% do Nordeste, 7% do Centro-Oeste e 6% do Norte. Na divisão por setores, o comércio representa 54%, os serviços 29% e a indústria 17%. A margem de erro do índice é de 3,85%, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.

Segundo o professor e pesquisador do Insper Gino Olivares, desde setembro, quando foi realizada a pesquisa referente ao quarto trimestre de 2014, as eleições presidenciais e diversos outros eventos econômicos alteraram bastante o quadro para os pequenos empresários.

“Se a gente pensar em todo o estoque de notícias ruins que apareceram após o segundo turno das eleições, a queda acentuada do indicador deixa de ser surpreendente”, comenta, citando dados como inflação elevada, atividade econômica fraca, valorização do câmbio e aumento da taxa básica de juros (Selic). “Naquela ocasião, não se esperava que um novo ciclo de aperto monetário fosse iniciado este ano. E essa pesquisa de agora não chegou a captar o segundo aperto, anunciado no início deste mês.”

Ano difícil

Olivares aponta que a pesquisa divulgada hoje só diz respeito ao primeiro trimestre de 2015, mas é possível prever que o próximo ano como um todo será difícil. Em meio às incertezas sobre as políticas econômicas do novo governo, ele vê dois cenários possíveis. No primeiro, o time liderado por Joaquim Levy adota uma série de ajustes que trarão dificuldades para o crescimento no curto prazo, mas melhorarão as perspectivas para um horizonte mais longo. Na segunda hipótese, os formuladores de políticas não conseguem implementar as mudanças necessárias e a indefinição gera uma paralisia da economia, sem trazer benefícios no longo prazo. “De qualquer forma, no curto prazo não tem como as coisas melhorarem”, afirma.

De acordo com o levantamento, entre os quesitos avaliados, o pior desempenho ficou com as expectativas em relação à economia brasileira para o primeiro trimestre de 2015, com uma queda de 10,2% em comparação ao quarto trimestre deste ano. Em termos de perspectivas quanto ao faturamento, o índice registrou retração de 8,8%. Em relação às expectativas para o próprio segmento, a confiança caiu 7,2%. No caso da expectativa de lucro, a queda foi de 6,9%. Já sobre a projeção para o quadro de funcionários, houve queda de 4,9%. O quesito intenção em realizar investimentos teve a menor baixa no período (-4,8%).

Na divisão por regiões, Centro-Oeste (-15,8%) e Nordeste (-11,6%) lideraram a queda. Na sequência aparecem Sul (-9,8%), Norte (-5,7%) e Sudeste (-3,2%). De acordo com a pesquisa, os índices das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste apresentaram os mais baixos níveis da série histórica do indicador, iniciada no primeiro trimestre de 2009.