Economia

Fim da taxa das blusinhas faz confiança do comércio cair 1,3% em setembro

Imagem mostra clientes olhando uma loja de roupas.
Setor reúne produtos como roupas, calçados, tecidos e acessórios, atingido diretamente pelo aumento das compras internacionais de até US$ 50 que passam a ser isentas do imposto de importação. Foto: Arquivo/Tribuna do Paraná/Albari Rosa.

A confiança dos comerciantes de bens semiduráveis caiu 1,3% em setembro e acumula recuo de 1,7% em 12 meses, segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A pesquisa divulgada nesta quarta-feira (30) aponta aumento da desconfiança na economia brasileira após a aprovação do fim da chamada taxa das blusinhas. As informações são da CNC.

O segmento reúne produtos como roupas, calçados, tecidos e acessórios, atingido diretamente pelo aumento das compras internacionais de até US$ 50 que passam a ser isentas do imposto de importação. Dentro do segmento, a expectativa econômica recuou 4,6% em setembro, enquanto o subíndice específico de roupas e calçados caiu 4% no mês e 1,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Segundo dados da Receita Federal, as remessas internacionais declaradas passaram de 15,2 milhões em agosto de 2025 para 26,5 milhões em agosto de 2026. O crescimento foi de 74% em quantidade, enquanto o valor financeiro das importações aumentou 79%, chegando a R$ 526 milhões.

Varejo geral mantém estabilidade

No conjunto do comércio brasileiro, o cenário é menos negativo. O Icec geral chegou a 100 pontos em setembro, considerado um nível de neutralidade, mas ficou 1,7% acima do registrado no mesmo mês do ano passado. A perspectiva para os próximos meses também perdeu força, com queda de 1,9% no Índice de Expectativas. Ainda assim, 59,5% dos empresários consultados continuam projetando melhora da economia nos próximos meses.

Outros segmentos apresentam crescimento

Outros indicadores mostram um cenário menos uniforme no varejo. Os estoques tiveram alta de 0,3% no mês e de 1,3% em 12 meses. Bens duráveis registraram avanço de 3,9% na comparação anual. As contratações cresceram 4,2% em relação a setembro de 2025.

A isenção do imposto de importação para compras estrangeiras até US$ 50 foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meados de setembro. A aprovação da proposta ocorreu após um acordo político com o Congresso. O ICMS, imposto cobrado pelos estados, segue em vigor com alíquotas de 17% a 25%.

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