Economia

Comércio de rua enfrenta crise com avanço das vendas online

Imagem mostra uma calculadora com moedas e notas de real.
Decisões econômicas, inflação e mercado: entenda como os rumos da economia afetam o seu dia a dia. Foto: Imagem criada com IA. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.

O comércio de rua brasileiro passa por uma transformação profunda provocada pela mudança no comportamento do consumidor. Em cinco anos, o faturamento do comércio eletrônico cresceu 86,3%, enquanto manter uma loja física ficou mais caro e o orçamento das famílias foi pressionado pelo endividamento. As informações são da Gazeta do Povo.

Em Curitiba, a história da Revistaria e Papelaria Alto da XV ilustra essa mudança. Quando a família de José Mainheriche assumiu a loja em 2003, jornais e revistas representavam 80% do faturamento. Hoje, esse percentual caiu para menos de 5%. A sobrevivência do negócio dependeu da diversificação: papelaria, brinquedos, produtos de conveniência e colecionáveis ganharam espaço.

Alguns segmentos do varejo físico são mais vulneráveis que outros. Livrarias e bancas de jornais estão entre os mais ameaçados. Papelarias, eletrônicos e eletrodomésticos ocupam uma faixa intermediária de risco. Móveis, vestuário e calçados têm proteção maior porque o consumidor ainda valoriza o contato com o produto antes de comprar.

Tecnologia reduz vantagem da experiência presencial

Maurício Morgado, professor da Fundação Getulio Vargas, explica que a necessidade de ver e experimentar o produto é o principal fator que dificulta as vendas online. Porém, a tecnologia vem reduzindo essa barreira com devoluções facilitadas, simulações e maior quantidade de informação disponível.

Tiago Bezerra, da Forvis Mazars, destaca que segmentos como beleza, vestuário e calçados pareciam protegidos pela dependência da experiência física. A tecnologia, no entanto, aproxima cada vez mais a experiência digital da presencial.

Nos eletrônicos e eletrodomésticos, as lojas podem se tornar showrooms onde o consumidor conhece o produto mas fecha a compra online. Fabricantes também podem vender diretamente ao consumidor final, reduzindo a necessidade de uma rede extensa de pontos físicos.

Pequeno comércio enfrenta mais dificuldades para se adaptar

Levar vendas para o digital não resolve todos os problemas. Bezerra avalia que o pequeno comércio tem acesso mais limitado a crédito e financiamento. Uma operação digital avançada exige integração entre loja física e canais online, com custos relevantes de tecnologia, marketing, logística e devoluções.

Supermercados e farmácias estão menos vulneráveis pela frequência das compras e pela necessidade muitas vezes imediata. Nas farmácias, os dois canais avançam juntos: um levantamento da Zetti Brasil mostrou alta de 14,7% na receita das vendas online no primeiro semestre de 2026, sem eliminar a importância da loja física.

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