Pedidos de suspeição (quando o parlamentar entende ter motivos que c0mprometem sua imparcialidade) apresentados nesta segunda-feira (15) por vereadores que estariam no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) adiaram mais uma vez reunião do colegiado. O grupo faria a análise do processo ético-disciplinar 1/2026. Com o afastamento dos parlamentares que se declararam suspeitos, não houve número mínimo de participantes para a avaliação do processo.
O processo em questão reúne representações sobre fatos ocorridos no plenário da Câmara de Curitiba em 1º de abril após uma Tribuna Livre, envolvendo Eder Borges (Novo), Camilla Gonda (PSB), Professora Angela (PSOL) e Vanda de Assis (PT). O procedimento foi aberto por encaminhamento do presidente da casa Tico Kuzma, após Borges simular uma arma de fogo com as mãos durante sessão.
“Infelizmente, por conta disso [das suspeições], não vai ter quórum suficiente e não vai ter condição de dar continuidade aos trabalhos”, disse o presidente do Conselho, Hernani (Republicanos).
Pedidos aprovados
É responsabilidade do colegiado decidir sobre o recebimento ou arquivamento das denúncias e, em caso de prosseguimento, escolher o relator do PED 1/2026.
Segundo informações da Câmara, a reunião aprovou os pedidos de suspeição de Olímpio Araujo Junior (PL), Guilherme Kilter (Novo), Bruno Secco (Novo), Carlise Kwiatkowski (PL) e João Bettega (PL). Com isso, os parlamentares deixaram de participar das deliberações do processo.
Olímpio Araújo justificou o pedido afirmando que já havia sido considerado suspeito em procedimento anterior relacionado a Eder Borges (Novo). O vereador citou também sua atuação como relator em caso envolvendo a vereadora Professora Angela (PSOL), o que, segundo ele, poderia comprometer sua participação no processo.
Guilherme Kilter alegou que esteve presente no plenário durante os fatos que originaram o procedimento e que, na ocasião, foi citado nominalmente pelo presidente da Câmara. Para o parlamentar, sua participação no episódio poderia ser avaliada como capaz de comprometer a isenção necessária à análise do caso.
Bruno Secco apresentou dois motivos. Ele afirmou ter subscrito representação em outro processo envolvendo a vereadora Professora Angela e mencionou a existência de atuação conjunta com a bancada do Novo em representação relacionada a Lórens Nogueira (PP). Segundo Secco, esses elementos poderiam gerar questionamentos sobre sua imparcialidade.
Com a aprovação dessas três suspeições, o presidente convocou suplentes para recompor o colegiado. No entanto, Carlise Kwiatkowski também pediu suspeição, citando atuação anterior, como Procuradora da Mulher, em manifestação relacionada a Eder Borges. O pedido foi aprovado pelo Conselho.
Depois, João Bettega também solicitou sua suspeição por integrar o mesmo bloco parlamentar de Eder Borges e afirmou que isso poderia gerar questionamentos futuros sobre sua participação. Com a quinta aprovação, o colegiado ficou semão desse último pedido retirou do colegiado o quórum mínimo necessário para continuar a reunião.
Hernani lembrou que os processos administrativos 435/2026 e 628/2026 foram anexados ao PED 1/2026, por tratarem dos mesmos fatos e terem conexão entre si. Com a anexação, novos representantes e representados passaram a integrar o procedimento.
Assim, o presidente registrou impedimentos de vereadores diretamente relacionados ao caso. Foram citados Giorgia Prates – Mandata Preta (PT), integrante titular do Conselho; Angelo Vanhoni (PT), suplente; e Eder Borges (Novo), cujo impedimento já havia sido reconhecido anteriormente.
A reunião desta segunda-feira foi convocada após a suspensão do encontro anterior, marcado para 11 de junho. Naquela data, segundo Hernani, estavam presentes quatro vereadores, número inferior ao quórum mínimo de cinco integrantes exigido pelo Código de Ética para deliberação.
Vereadora questiona suspeições
Durante a discussão do pedido de suspeição de João Bettega, Laís Leão (PDT) afirmou que a sucessão de pedidos poderia ser interpretada como uma tentativa de atrasar o andamento do processo. “Com todo respeito aos colegas, me soa como uma manobra para obstruir o processo e demorar”, disse.
Apesar da crítica, Laís votou a favor da suspeição. A vereadora ponderou que rejeitar o pedido de um parlamentar que se declara suspeito poderia aumentar o risco de questionamentos futuros ao procedimento. “A gente fica entre a cruz e a espada, porque não tem como negar um pedido de suspeição, porque daí corre o risco de anular o processo”, justificou. Ela, Rafaela Lupion (PSD) e Zezinho Sabará (PSD) compareceram, mas com as suspeições, o quórum mínimo de seis não foi atingido.
