A demissão de dezenas de trabalhadores nos últimos meses motivou protestos do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, nesta segunda (16) e também nesta terça-feira (17), em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba. Eles cobram da empresa um posicionamento a respeito dos desligamentos. Em alguns casos, segundo o sindicato, os funcionários estariam doentes ou de férias.

Segundo Alceu Luiz dos Santos, diretor do SMC, havia um acordo para que trabalhadores com doenças funcionais não entrassem na lista das demissões. “Infelizmente a empresa optou por fazer estes desligamentos. Demos um prazo de 48 horas para a Renault rever essas decisões”, explicou. O prazo vence nesta quarta-feira (18), quando os trabalhadores fazem uma nova assembleia durante à tarde para decidir os próximos passos do movimento.

“É um posicionamento bastante grave por parte da empresa: a demissão de um trabalhador doente. Em assembleia foi dado um encaminhamento de que, se até quarta-feira (18) nenhuma resposta for dada, tomaremos outras medidas”, ressaltou Ezequiel Formigão, um dos dirigentes sindicais do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba.

Caso nenhuma resposta chegue por parte da empresa, os trabalhadores devem votar uma paralisação maior, de dois dias.

O outro lado!

A reportagem tentar contato com a assessoria de imprensa da montadora pela manhã, mas não teve êxito. No início da tarde, um funcionário da Renault entrou em contato com a redação para questionar as informações publicadas e divulgadas pelo sindicato. Uma nota oficial foi enviada.

“A Renault não reconhece as informações constantes na matéria “Trabalhadores da Renault protestam contra demissão de trabalhadores, sendo um deles doente” e, portanto, esclarece: Não houve demissão de 56 trabalhadores na Renault do Brasil nesta segunda e terça-feira, 16 e 17/12 e nem nos últimos meses. Ao realizar um processo de desligamento, vários requisitos são avaliados por diferentes áreas como a área de Saúde Ocupacional, Jurídico, Segurança do Trabalho e Recursos Humanos. As decisões são tomadas após uma análise criteriosa de forma respeitosa, responsável e cumprindo a legislação vigente”, diz a nota oficial.

O sindicato fala em 56 demissões, mas a empresa refuta este número. A empresa confirma alguns desligamentos ao longo dos últimos três meses, mas nada “fora do comum” para uma empresa com 7 mil funcionários. O funcionário demitido recentemente, que motivou os protestos, não estaria doente.