O laboratório brasileiro Genera, especializado em genômica pessoal, fez um levantamento para definir as heranças genéticas de cidades do Sul do Brasil. Com o cruzamento de milhares de testes de ancestralidade, os dados revelaram que a herança eslava em Curitiba é o dobro da registrada em Florianópolis.

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A capital catarinense, por sua vez, mantém o maior índice de ancestralidade europeia em comparação com o município paranaense.

Apesar disso, as duas cidades também apresentam índices consideráveis de ancestralidade indígena e africana. “Historicamente, Curitiba costumava ter um grupo indígena relevante, então vemos isso marcado no DNA das pessoas”, detalha O médico, doutor em genética e fundador de Genera, Ricardo Di Lazzaro Filho.

A análise reúne dados de 5,77 mil clientes do laboratório em Curitiba e mais 2,48 mil em Florianópolis. Eles foram testados ao longo de 2025, mapeando a origem continental e étnica de cada grupo. O resultado traça o resultado de dois séculos de imigração na região Sul, que teve forte influência em suas tradições e até na formação de suas populações.

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O doutor Di Lazzaro Filho, explica que é possível não apenas entender um pouco mais sobre a origem das cidades, mas também a história marcada na própria população atual. Os exames elaborados podem detalhar, inclusive, predisposições a doenças e analisar a saúde com base na genética.

Ele ainda afirma que o teste pode ser realizado a partir de uma compra na internet, para qualquer pessoa que deseja saber mais sobre suas raízes. Também é possível encontrar laboratórios parceiros da Genera, como o Frischmann Aisengart, que aplicam o teste.

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“É um dado importantíssimo. Tanto para conhecer o passado, como entender um pouco das predisposições do presente e riscos do futuro”, resumo o médico.

Resultados do estudo

Um dos resultados mais expressivos, de acordo com o estudo, é em relação a ancestralidade da Europa Ocidental, que reúne origens polonesas, ucraniana e russa. Em Curitiba, esse componente respondeu por 8,6% do DNA médio dos moradores testados. O índice foi de 4,2% em Florianópolis.

O dado tem justificativa histórica: A partir da década de 1870, o Paraná recebeu imigrantes poloneses e ucranianos, atraídos por políticas de colonização do governo imperial e, depois, republicano. Colônias como Santa Cândida, Abranches e Pilarzinho, hoje bairros de Curitiba, nasceram desse movimento.

Florianópolis, por outro lado, se destaca em ancestralidade europeia total, com 85,4% do DNA médio dos moradores. Em Curitiba, a porcentagem chegou a 81,8%. A média nacional é de 76,7%.

A explicação, conforme o estudo, está em dois fluxos migratórios em Santa Catarina. O primeiro trouxe casais das ilhas portuguesas de Açores para povoar o litoral catarinense, a partir de 1748. Essa parte da história aparece na fatia de 28,5% de ancestralidade ibérica (entre Espanha e Portugal) entre os florianopolitanos, a maior entre as duas capitais.

O segundo movimento foi a partir de 1850 e explica 20,7% de ancestralidade da Europa Ocidental. O grupo envolve origens alemã, francesa e neerlandesa.

Miscigenação em números

Mas não é apenas a herança europeia que foi encontrada. Em Curitiba, as ancestralidades indígena e africana são maiores (6,7% e 5,1%), do que em Florianópolis (4,6% e 4,5%). No Brasil a média chega a 9,4%.

“Cada leva de imigração deixou uma marca genética que se mantém visível gerações depois, mesmo com toda a miscigenação que aconteceu no caminho”, afirma o doutor Di Lazzaro Filho. Ele ainda explica que o teste genético transforma a história das imigrações em dados concretos e sobre a própria família de quem fez o exame.

Mas, pela história, os índices de indígenas e africanos no Sul do país, acaba sendo menor do que em outras regiões. O médico aponta que, na Bahia, por exemplo, a média de ancestralidade africana chega a 20% – quase cinco vezes a mais do que em Curitiba e Florianópolis.