Brasil e Noruega se encontram em campo neste domingo (5), às 17h, pela fase eliminatória da Copa do Mundo. Em Curitiba, porém, a relação entre os dois países também é lembrada por outro motivo. Há mais de um século, um artista norueguês desembarcou no Paraná, adotou a capital como casa e ajudou a escrever um dos capítulos mais importantes da história cultural do estado.
O Museu Casa Alfredo Andersen conta a história de Alfredo Andersen, artista que se tornou conhecido como o pai da pintura paranaense. Nascido na Noruega, Andersen adotou Curitiba como cidade e foi o primeiro a receber o título de Cidadão Honorário de Curitiba, em 1931, segundo a Prefeitura de Curitiba.
A ligação com a capital paranaense foi tão profunda que superou suas origens. A antiga casa onde viveu e trabalhou, na Rua Mateus Leme, abriga hoje um museu dedicado à sua obra e ao seu legado. Além do acervo permanente, o espaço promove exposições temporárias, cursos de desenho, pintura e cerâmica, mantendo viva a tradição artística iniciada pelo pintor.
Confira, a seguir, a história do norueguês:
Como um norueguês foi parar no Paraná?
Alfredo Andersen nasceu em Kristiansand, no sul da Noruega, e era filho de um capitão da Marinha Mercante. Ainda jovem, embarcou em viagens por diversos países até chegar ao litoral paranaense.
A versão mais conhecida de sua história conta que o navio em que viajava precisou permanecer por alguns meses em Paranaguá. Durante esse período, conheceu Ana de Oliveira, moradora da Ilha dos Valadares, com quem se casou. Após o casamento, viveu cerca de dez anos no litoral antes de se mudar para Curitiba, no início do século XX.
Por que é chamado de pai da pintura paranaense?
Ao chegar à capital, Andersen abriu um ateliê e passou a ensinar desenho e pintura. Em uma época em que a fotografia ainda era pouco acessível, suas telas registravam paisagens, personagens e atividades do cotidiano paranaense, como o ciclo da erva-mate, tornando-se importantes documentos históricos.
Seu trabalho como professor também foi decisivo para a formação das artes plásticas no estado. Diversos artistas que mais tarde se destacariam no Paraná foram seus alunos ou tiveram sua produção fortemente influenciada pelos ensinamentos do mestre norueguês.
Alfredo Andersen recusou voltar para a Noruega?
Sim. Anos depois de se estabelecer no Brasil, Andersen retornou à Noruega para visitar familiares. Durante a viagem, recebeu um convite para dirigir a Escola de Belas Artes de Oslo, um dos cargos mais prestigiados da área em seu país natal.
Apesar do reconhecimento, recusou a proposta. Já completamente integrado à vida curitibana, preferiu retornar ao Paraná, onde permaneceu até o fim da vida.
Onde conhecer o legado de Alfredo Andersen?
Quem quiser conhecer de perto a história do artista pode visitar o Museu Casa Alfredo Andersen, no Centro Histórico de Curitiba. O local funciona de terça-feira a domingo, das 9h30 às 17h, na Rua Mateus Leme, 336, no bairro São Francisco. A visitação é gratuita.
