Semanas após ser multada pelo corte de árvores na Avenida Arthur Bernardes, a Prefeitura de Curitiba iniciou o corte de árvores no Passeio Público. Durante os dias 19 de julho e 11 de agosto, o local sediará o evento “Inverno Encantado”, experiência imersiva que une projeções e tecnologia em meio a natureza. 

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Inaugurado há 140 anos, o Passeio Público é o parque mais antigo da capital e abriga espécies como carvalhos, ciprestes, canelas e eucaliptos, além de aves, répteis e outros animais silvestres. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram árvores com galhos e copas podados, enquanto outras foram cortadas no meio do tronco.

À Tribuna do Paraná, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) informou que a manutenção já estava programada previamente. Segundo a pasta, as manutenções eram pautadas em avaliações técnicas para preservar a arborização do local.

“A árvore que foi suprimida encontrava-se desvitalizada, sem sinais de vida, e a medida foi adotada com base em critérios técnicos, voltados à segurança e à conservação da área. Além dessa intervenção, as equipes técnicas executaram a remoção de galhos desvitalizados em outras 12 árvores existentes no Passeio Público, incluindo exemplares localizados sobre os recintos dos animais, especialmente o dos flamingos”, diz a nota.

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A intervenção também motivou questionamentos no Legislativo. Na última sexta-feira (10), a vereadora Laís Leão (PDT) protocolou um pedido de informações à Prefeitura. Segundo o gabinete da parlamentar, o Executivo ainda não respondeu ao requerimento, cujo prazo legal é de 15 dias úteis, prorrogável por igual período.

Nas redes sociais, Laís Leão afirmou que a falta de informações sobre a intervenção preocupa. “O grande problema é que a gente vê um monte de árvores sendo destruídas sem saber exatamente o que está acontecendo e, principalmente, para onde essa madeira está indo”, disse.

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A vereadora Camilla Gonda (PSB) também apresentou pedido de informações à Prefeitura. A reportagem procurou a parlamentar para verificar se houve retorno do Executivo e aguarda resposta.

Petição pede cancelamento do evento

Em reação à intervenção, movimentos ambientalistas lançaram, em conjunto, uma petição pedindo o cancelamento do Inverno Encantado. A programação prevê apresentações diárias, das 18h às 21h, com projeções nas fontes, um domo com sessões de 12 minutos por grupo e instalações holográficas distribuídas pelo parque.

Os organizadores da petição afirmam que a combinação entre iluminação, projeções, aumento da circulação de visitantes e sons acima de 55 decibéis pode causar impactos aos animais mantidos no Passeio Público, comprometendo o descanso e provocando estresse.

Ibama multou Prefeitura em junho

No fim de junho, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou duas multas à Prefeitura de Curitiba por irregularidades relacionadas ao corte de árvores na Avenida Arthur Bernardes. No local, são executadas obras do Novo Inter 2.

A principal autuação, de R$ 511,5 mil, ocorreu por informações consideradas incompletas no Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor), plataforma que registra autorizações de corte, manejo e transporte de vegetação nativa. Segundo o Ibama, as inconsistências envolveram duas autorizações cadastradas no sistema.

A segunda multa refere-se ao transporte da madeira resultante da poda das árvores. Pela legislação ambiental, o responsável pelo transporte só pode transportar esse material após emitir o Documento de Origem Florestal (DOF), licença que permite rastrear a procedência e a destinação dos produtos florestais. No entanto, quando realizou o corte, a Prefeitura não havia emitido a autorização.