Investigado por corrupção em contratos da saúde, o prefeito de Fazenda Rio Grande, Marco Marcondes (PSD), é acusado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) de receber propina em ao menos três ocasiões. Segundo as investigações, os encontros ocorreram dentro do condomínio onde ele morava, em momentos que coincidiram com autorizações de contratos fraudulentos com a empresa AGP Saúde.
O caso veio à tona após imagens de câmeras de segurança obtidas pelo MPPR e exibidas no programa Meio Dia Paraná, da RPC TV. No dia 17 de março de 2025, Marcondes se encontrou com Alberto Martins de Farias, auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) e apontado como líder do esquema, e com Abrilino Fernandes Gomes, identificado como intermediário. O encontro aconteceu cerca de uma hora depois de o prefeito autorizar a contratação direta da empresa, sem licitação.
Para evitar câmeras, a reunião foi realizada em um bosque do condomínio. Segundo o MP, durante o encontro, o prefeito retornou à residência e pegou uma mochila, que voltou a carregar com volume visivelmente maior.
Situações semelhantes foram registradas em 14 de abril e 6 de maio de 2025. Nesses mesmos dias, depósitos em dinheiro foram feitos em caixas eletrônicos. O MPPR estima que mais de R$ 250 mil tenham sido pagos em propina ao prefeito entre 2020 e 2024.
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Entenda o caso
A Operação Fake Care foi deflagrada pelo MPPR em 9 de outubro para apurar um esquema de corrupção na Secretaria de Saúde de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba. O grupo é investigado por corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal.
De acordo com a denúncia, o esquema desviou mais de R$ 10 milhões com a contratação sem licitação da empresa AGP Saúde, responsável por um suposto programa de “testagem domiciliar” que, segundo o MP, não possuía qualquer base científica.
Foram denunciados seis envolvidos, incluindo o prefeito. Além de Marcondes, acusado de organização criminosa, contratação ilegal, desvio de dinheiro público e corrupção passiva, também foram denunciados:
- Francisco Roberto Barbosa, secretário municipal de Finanças, pelos mesmos crimes;
- Alberto Martins de Farias, auditor do TCE-PR, apontado como líder do esquema;
- Samuel Antônio da Silva Nunes, empresário e sócio da AGP Saúde;
- Ângela Maria Martins de Faria, mãe do auditor, por lavagem de dinheiro;
- Abrilino Fernandes Gomes, comentarista esportivo, por organização criminosa e corrupção ativa, por atuar como intermediário.
A denúncia foi apresentada, nesta terça-feira (14/10), o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), que decidirá se os investigados se tornarão réus.



