O segmento de imóveis novos não é o único a apresentar bons resultados e perspectivas diante das dificuldades decorrentes da pandemia da Covid-19. O setor de usados registrou, em agosto, sua melhor marca desde junho de 2013 (1.462 unidades), com um total de 1,2 mil unidades residenciais comercializadas em Curitiba. Esse total ainda representa um aumento de 54,5% na comparação com o mês anterior e de 59,4% em relação a agosto do ano passado.

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Os números são do levantamento realizado pelo Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), vinculado ao Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi-PR), que também apresenta alta no segmento de terrenos, com 200 unidades negociadas no mesmo mês. O montante é 46% superior ao registrado em julho deste ano e 23,5% maior no comparativo com agosto de 2019.

“Tudo começou dentro do processo que temos que recordar, que foi o da recessão de 2018. Isso fez com que represasse a quantidade de consumidores que estavam procurando por residências nos últimos anos. Além disso, temos certeza de que o que alavancou o mercado foi a oferta de crédito imobiliário, que fez toda a diferença”, aponta Jean Michel Galiano, presidente do Inpespar e vice-presidente de Economia e Estatística do Secovi-PR. “Aliado a uma taxa de juros extremamente baixa [a Selic está em 2%], que faz com que as pessoas não tenham grandes retornos em deixar o dinheiro no banco, à alta do dólar, ao menor número de viagens e ao fato de as pessoas ficarem presas em casa [por conta do isolamento social], eles resultaram na união de forças que justificam a alta”, acrescenta Marlon Moser, diretor de vendas da Imobiliário Razão.

Além da efetivação da compra, as condições econômicas de juros baixos, oferta de crédito e mais poupança das famílias, que têm economizado com gastos de transporte, lazer e alimentação fora de casa em tempos de pandemia, possibilitaram também o aumento do ticket médio dos imóveis negociados no último mês de agosto, que foi de R$ 366 mil. “Antes, esse valor girava em torno de R$ 250, R$ 260 mil. O financiamento mais barato permitiu que [os compradores] se endividassem mais em relação ao valor da prestação”, explica Galiano.

E o valor do ticket médio não foi a única alteração. Em busca de maior conforto para a família e a rotina doméstica, muitos compradores têm optado casas e apartamentos com áreas maiores, quintais e até mesmo imóveis mais distantes do centro ou das principais regiões da cidade.

Foto: Arquivo/Marcelo Andrade/Gazeta do Povo.

“Não existe um mercado específico [em alta]. Casa em condomínio, sobrado em condomínio, imóveis com terreno, a procura está muito grande. Até para imóveis encalhados, como chácaras e terrenos em condomínios em regiões como Piraquara, que estavam há um ano sem visita, agora temos diversas visitas por semana. É o efeito Covid-19, pois a distância não é mais uma barreira muito grande, uma vez que muitas empresas passaram a focar no home office”, acrescenta Moser.

Na opinião dos especialistas, os bons resultados deverão perdurar pelos próximos meses, embalados principalmente pela manutenção das condições financeiras: alta do dólar e juros baixos, sem previsão de que volte a subir de forma mais expressiva até o fim do próximo ano. “Em todas as categorias, as pessoas não estão [pensando] o imóvel como um investimento ou um lugar para dormir. Elas estão procurando um lar”, finaliza Galiano.