A pandemia do coronavírus aumentou a procura por casas, sejam de frente para a rua ou em condomínios, em Curitiba. As casas, que antes da pandemia tinham pouca procura em relação aos apartamentos, ganharam fôlego. E a explicação é o impacto da pandemia na vida das pessoas.

Com boa parte das pessoas trabalhando em casa, no chamado home office, já não há mais necessidade de se morar perto de onde era o emprego. Assim, muita gente está aceitando morar em bairros mais distantes, porém, com mais espaço. É o que explica o vice-presidente de vendas do Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi-PR), Luciano Tomazini. 

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“As famílias acabaram percebendo que o espaço dos apartamentos é pequeno, as pessoas usavam a habitação somente para dormir e passavam grande parte do dia fora. Agora, com todo mundo reunido, houve essa necessidade de buscar um espaço maior, de se ter pelo menos um quintal”, explica Tomazini. 

Com a possibilidade de continuar com o sistema home office ainda pelos próximos meses ou pelos próximos anos, a mudança por uma casa é vista como investimento em qualidade de vida. “As casas de frente para a rua estavam com uma menor quantidade de negócio e na pandemia voltaram a crescer. A venda de imóveis em condomínio fechado também cresceu, aliando a segurança com a possibilidade de ter uma área de convívio maior para a família”, explica o vice-presidente do Secovi. Ou seja, a busca pela área de lazer privativa tornou-se o principal atrativo entre quem decidiu mudar de casa nos últimos meses.

Além de espaço, um novo comportamento também tem sido notada entre quem decidiu mudar do apartamento para a casa na quarentena. Por causa da falta da necessidade em morar próximo do trabalho, muitas famílias decidiram até mudar de bairro. “As pessoas acabam se regionalizando na cidade. Quando mudam, ficam sempre na mesma região, difícil migrarem. Então, essa questão de proximidade é muito enraizada. A grande maioria troca por algo próximo de onde elas vivem, mas durante a pandemia isso parou um pouco”, explica Tomazini.

Mercado aquecido

Com o mercado financeiro com baixa rentabilidade e a taxa de juros baixíssima, a mais baixa da história, o mercado imobiliário tem sido uma excelente alternativa também para investidores. “O investimento em locação têm sido um atrativo hoje por causa de uma série de associação de fatores, não só a pandemia. Não vale a pena hoje em dia deixar o dinheiro parado, tem que circular”, explica o coordenador de vendas da Rede Imóveis, Marlon Moser. 

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A taxa Selic, que a taxa básica de juros da economia, segue a 2% ao ano em agosto — a menor desde 1999, quando entrou em vigor o regime de metas para a inflação. E com a taxa Selic baixa, aplicações financeiras, como a poupança e os investimentos de renda fixa, são afetados negativamente. Em contrapartida, a Selic baixa favorece o setor de venda imobiliária. Os juros da compra de imóveis passam a ficar mais baixos.

De acordo com o economista Lucas Dezordi, a Selic deve se manter inferior a 0,41% ao mês nos próximos anos. Dados do Inespar afirmam que o mercado imobiliário vem apresentando uma rentabilidade especial, uma vez que a valorização média dos residenciais, no acumulado dos últimos 12 meses, foi de 5,49%. Os aluguéis residenciais tiveram variação de 8,52% no mesmo período.