O Grupo Opet, que começou sua trajetória em Curitiba oferecendo cursos de datilografia, há 53 anos, está dando um dos maiores passos de sua história. A instituição paranaense vai investir R$ 20 milhões na implantação de uma faculdade de Medicina, com laboratórios de realidade virtual, simuladores de pacientes e tecnologias de inteligência artificial para a formação dos futuros médicos. A primeira turma terá 60 vagas e começará as aulas no dia 16 de novembro, no Campus Rebouças, na capital paranaense.
O investimento será realizado ao longo dos quatro primeiros anos da graduação, com 45% dos recursos concentrados nos dois primeiros. Do total, R$ 8 milhões serão destinados à compra de equipamentos, R$ 6 milhões às obras de infraestrutura e outros R$ 6 milhões à tecnologia, contratação e qualificação de professores.
A abertura do curso também deverá movimentar o mercado de trabalho. O grupo prevê ampliar em 15% seu quadro de colaboradores com a chegada de Medicina, incluindo contratações para o corpo docente e para as áreas administrativas. Atualmente, o UniOpet reúne aproximadamente 300 funcionários e 200 professores.
“Chegar à Medicina depois de 53 anos de atuação representa um novo momento na trajetória do Opet. É um dos maiores investimentos que já realizamos e reflete nosso compromisso com o crescimento sustentável da instituição”, afirma Adriana Karam, presidente do Grupo Opet.
Como serão os laboratórios do novo curso de Medicina?
Uma das principais apostas do UniOpet é a utilização de tecnologias que permitam aos estudantes treinar procedimentos e tomar decisões clínicas em ambientes simulados, antes de realizar atendimentos diretamente com pacientes.
Entre as estruturas previstas está o Centro de Habilidades e Simulação, equipado com simuladores de média e alta fidelidade. Esses equipamentos reproduzem situações de atendimento médico e permitem que os alunos pratiquem habilidades clínicas e desenvolvam a capacidade de reagir a diferentes cenários.
Outra novidade é a mesa anatômica digital Atrix, utilizada para o estudo do corpo humano por meio de recursos digitais. A estrutura também contará com um Laboratório de Realidade Virtual e a plataforma MedRoom, que proporciona experiências imersivas para o aprendizado de anatomia, histologia e raciocínio clínico.
O curso também incluirá conteúdos relacionados à inteligência artificial e à telemedicina, preparando os estudantes para o uso de tecnologias que vêm transformando a prática médica.
Segundo o CEO do UniOpet, Gillianno Mazzetto, a proposta é combinar conhecimento científico, formação técnica e capacidade de compreender as necessidades dos pacientes.
“Queremos formar um médico que reúna conhecimento científico, capacidade técnica e uma compreensão muito clara da realidade em que vai atuar. Isso exige desenvolver raciocínio clínico e tomada de decisão, mas também comunicação, capacidade de trabalhar em equipe e preparo para acompanhar as transformações da própria Medicina”, explica.
Curso terá seis anos e quase 3 mil horas de internato
A graduação em Medicina do UniOpet terá duração de seis anos, divididos em 12 semestres, com carga horária total de 8 mil horas.
Desse total, 2.880 horas serão destinadas ao Internato Médico, etapa prática realizada nos dois últimos anos do curso, que corresponde a 36% da formação.
A proposta pedagógica prevê que os alunos tenham contato com a comunidade e a rede de atenção à saúde desde as primeiras semanas de aula, incluindo atividades em Unidades Básicas de Saúde (UBS). Conforme a graduação avançar, as experiências práticas serão ampliadas para ambulatórios de especialidades e ambientes hospitalares.
O modelo de ensino também utilizará situações-problema, projetos, trabalhos em equipe e simulações de atendimento. A instituição prevê acompanhamento individualizado do desempenho acadêmico e conteúdos relacionados à gestão de carreira e empreendedorismo.
A graduação foi estruturada de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Medicina, atualizadas em 2025.


Grupo Opet prevê novas contratações e expansão em 2027
A chegada da Medicina faz parte de uma estratégia mais ampla de crescimento do Grupo Opet. A instituição informa que vem registrando expansão de aproximadamente 10% ao ano e pretende ampliar sua atuação em áreas consideradas estratégicas, especialmente Saúde e Inteligência Artificial.
Atualmente, o UniOpet possui cerca de 6 mil alunos no ensino superior e oferece mais de 50 cursos. Para 2027, estão previstas reformas e melhorias no Campus Rebouças, incluindo a criação de espaços colaborativos e de um hub voltado à inovação, ao empreendedorismo e à empregabilidade.
“A Medicina não é um movimento isolado, mas parte de uma visão de longo prazo para o Opet. Queremos continuar ampliando nossa atuação no ensino superior, fortalecendo áreas estratégicas e criando novas conexões com tecnologia, inovação e mercado”, afirma Gillianno Mazzetto.
Além do ensino superior, o grupo atua na educação básica e no segmento editorial, com presença nacional. Segundo a instituição, mais de 40 mil estudantes são atendidos na educação básica e mais de 1,5 milhão de pessoas passaram por suas formações ao longo da história.
De cursos de datilografia à formação de médicos
Fundado em Curitiba em 1973, o Opet iniciou suas atividades oferecendo cursos de datilografia, uma habilidade bastante procurada no mercado de trabalho da época. Com a popularização dos computadores, a instituição passou a oferecer cursos de informática e, posteriormente, ampliou sua atuação para educação profissional, tecnologia e ensino superior.
Mais de cinco décadas depois, a abertura da graduação em Medicina representa uma nova etapa dessa trajetória. O curso será oferecido no Campus Rebouças, sede principal do Centro Universitário UniOpet, que recebeu Conceito Institucional 5 do Ministério da Educação em 2023.
