A lavagem constante das mãos e objetos para prevenir o coronavírus junto com a estiagem mais forte em Curitiba e região metropolitana desde 1997, quando o Simepar passou a acompanhas condições climáticas no Paraná, ligou o sinal de alerta na Sanepar. A companhia de abastecimento vem adotando rodízio por bairros no fornecimento de água, com monitoramento diário do sistema, desde que a pandemia chegou na capital para evitar a falta de água. Mas pede encarecidamente à população: não desperdice neste período em que a água é ainda mais essencial para a saúde.

“Precisamos, realmente, unir forças. Para que a gente possa continuar a combater o Covid-19 sem a falta d’água, todos precisam ser muito conscientes. Destinar o uso da água tratada exclusivamente para o que é essencial. Não é o momento de desperdiçar”, enfatiza o coordenador de Centros de Educação Socioambiental da Sanepar, Junio Fêrreira.

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Para evitar o contágio do covid-19, a Sanepar pede para que a população priorize a água a higiene pessoal e de alimentos. Com mais pessoas em casa por causa do isolamento social, a companhia de abastecimento explica que a tendência é de que as famílias e condomínios resolvam fazer grandes faxinas, mais de uma vez por semana, como lavar calçadas, paredes, veículos e até regar os jardins. Mas a Sanepar é enfática: não é para fazer isso neste momento.

Segundo Ferriera, a população deve tomar cuidado até mesmo hábitos simples, como escovar os dentes – sempre fechar a torneira para só depois enxaguar. O mesmo vale na hora de lavar as mãos para prevenir o coronavírus: molha, fecha a torneira, ensaboa e só então abre de volta a torneira para o enxague. Tudo para evitar a falta de água. “É fundamental também lembrar de reaproveitar a água da máquina para alguma limpeza eventual de pisos”, ressalta Ferreira.

Momento delicado

Ainda de acordo com o coordenador, Curitiba e região passam por um momento delicado no abastecimento. De acordo com a última atualização da Sanepar, o Rio Miringuava, que abastece Curitiba e 12 cidades do entorno, perdeu 60% do volume de água. O nível médio das barragens do Iraí, Passaúna e Piraquara 1 e 2, do Sistema Abastecimento Integrado de Curitiba, está em 62,7%.

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Os mananciais que abastecem as cidades de Almirante Tamandaré, Rio Negro, Fazenda Rio Grande e Colombo estão igualmente com níveis preocupantes.

Vai melhorar?

Levantamento do Instituto Simepar, que monitora as condições do tempo desde 1997, não aponta um cenário animador pela frente. Relatório mostra que o volume de chuvas previsto ficará abaixo da média normal para o período de três a seis meses. O outono por si só já teve uma média menor, o que reforça a necessidade de um consumo consciente de água.

Terça-feira (14) há previsão de chuva para Curitiba. Entretanto, o volume de água será baixo e não deve alterar o cenário nas represas que abastecem a cidade. Esta chuva deve servir apenas para amenizar um pouco a secura do solo.