O rodízio no abastecimento de água causado pela forte estiagem está sendo mais severa para os moradores de de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba,que chegaram a ficar cinco dias sem água. Se antes os imóveis de boa parte dos bairros tinham cortes no abastecimento em média a cada três dias, desde esta sexta-feira (15) eles estão ficarão sem água dia sim, dia não.

O motivo é o agravamento da vazão do Rio Miringuava, que terça-feira (12) bateu em menos de 30% de seu volume normal de água. Com isso, 24 bairros abastecidos pelos reservatórios Arujá e Aeroporto terão água por 24 horas e ficarão sem abastecimento por outras 24 horas. (Ver escala por bairros abaixo abaixo).

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Moradores do bairro Afonso Pena e Del Rey, que estão na lista do abastecimento de 24h, reclamam que já chegaram a ficar cinco dias sem água. Eles entendem que o problema é causado pela pior estiagem no Paraná nos últimos 27 anos, mas questionam o motivo de tanto tempo sem fornecimento. A preocupação dos moradores é maior ainda justamente pela pandemia de coronavírus, quando a higiene das mãos e de objetos é essencial para evitar o contágio.

Dias sem água, família de Renato acumula roupas para lavar quando a água voltar. Foto: Arquivo Pessoal/Renato Sgarbe.

O morador do Conjunto Urano, no bairro Afonso Pena, Renato Sgarbe conta que nos últimos dias vem recebendo da Sanepar aviso em cima de aviso no celular de mudanças nas datas do rodízio. O primeiro aviso dizia que faltaria água quarta-feira (13) e que o serviço seria restabelecido no dia seguinte, quinta-feira (14). “Depois veio uma alteração que ia faltar água a partir do mesmo dia que estava prevista a volta da parada anterior. Ontem [quinta] veio outro comunicado dizendo que no dia 16, quando a água ia voltar, vai faltar água novamente até o dia 18”, reclama o morador que ficará cinco dias sem água. “Sei que tem rodízio, que está difícil para todo mundo, mas não consigo entender por que cinco dias programados sem água para a nossa região”, reclama Renato.

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A falta de água complica ainda mais vida de Renato e da esposa, que estão no limite para o grupo de risco da covid-19. “Estamos nos socorrendo com banho na casa de filho. Minha esposa tem 60 anos e eu estou com 59 e temos que nos sujeitar a isso. Como ficar sem banho? Não tem como. Estamos nos socorrendo com álcool gel, máscara. Tem que ser meio ‘Homem Aranha’ pra lidar com isso”, lamenta o morador.

Vizinho de Renato, Gerson Fröhner conta que é a primeira vez que a região fica tantos dias sem água. Ele e a família estão economizando para que eles mesmos e outras pessoas não fiquem sem água.

“Estamos cuidando um pouco mais e tentando reduzir o máximo nosso consumo. Acredito que tem muita gente sofrendo bastante, por isso procuramos sempre pensar no próximo”, aponta o morador que conta com uma caixa para captar água da chuva para plantas e até mesmo descarga.

E aí, Sanepar?

A reportagem questionou na manhã desta sexta a Sanepar sobre a situação dos moradores de São José dos Pinhais. A Tribuna segue aguardando a resposta da companhia de abastecimento.

Rodízio de 24h em São José dos Pinhais

UM DIA

Área do Reservatório Arujá: Barro Preto, Arujá, Del Rey, Quississana, Costeira e Ouro Fino

Área do Reservatório Aeroporto: Afonso Pena, Águas Belas, Independência, Boneca do Iguaçu, Iná, Aviação, Rio Pequeno, São Cristóvão. 

OUTRO DIA

Área do Reservatório Arujá: Aristocrata, Centro, Zaniolo, Braga, Cruzeiro, Aguas Belas, Ouro fino, Costeira, Pedro Moro, Santo Antônio, Colônia Rio Grande, Itália, Bom Jesus. 


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