A engorda e a revitalização da orla das praias, as diversas obras de melhorias na infraestrutura e a esperada ponte que vai ligar Matinhos a Guaratuba não vão mudar só a paisagem do Litoral do Paraná. O valor dos imóveis na região também mudou e quem tem casa na praia está rindo à toa. Entre o período pré-pandemia, em 2019, e o cenário atual, 2026, o metro quadrado de áreas privilegiadas chegou a registrar valorização superior a 120%.
Com o aquecimento imobiliário da região, o Litoral do Paraná agora entra na disputa com outros destinos e passa a figurar entre os litorais mais valorizados do país. “Ainda não chegamos a uma valorização como a região da Costa Dourada de Santa Catarina, mas podemos estar chegando próximo a valorização da região de Piçarras, Barra Velha e Itapoá, em Santa Catarina”, analisa o diretor de tecnologia da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR) e CEO e cofundador da Isket Soluções em Big Data, Joseph Galiano Neto.
A alta no preço dos imóveis foi impulsionada pelos investimentos em mobilidade, saneamento básico e requalificação urbana. “Antes da pandemia, os preços médios dos imóveis em Guaratuba giravam entre R$ 5 mil e R$ 6 mil o metro quadrado em regiões beira-mar ou Centro. Hoje, em áreas nobres e com padrão médio e alto, esse valor chega facilmente a R$ 8,5 mil ou R$ 9 mil o metro quadrado”, afirmou.
Em Guaratuba, além da expectativa em torno da construção da ponte, o avanço da reurbanização das praias ajudaram a impulsionar o interesse por imóveis de médio e alto padrão. Segundo Galiano, a valorização em regiões privilegiadas praticamente dobrou em relação aos valores praticados antes da pandemia.
O crescimento também se refletiu no perfil urbano do município. Em 2017, Guaratuba tinha cerca de 156 edifícios. Em 2026, esse número ultrapassa 210, evidenciando a expansão do mercado e o aumento da oferta de novos empreendimentos.
Caiobá lidera na alta de preços
Entre as regiões do Litoral do Paraná, Caiobá tem se destacado na valorização imobiliária. A região, que durante muito tempo enfrentava problemas como falta de saneamento e infraestrutura limitada, passou por mudanças significativas com o alargamento da faixa de areia e revitalização a orla.
Antes de 2020, os imóveis de Caiobá eram negociados em um valor entre R$ 4,5 mil e R$ 6 mil o metro quadrado. Hoje, os preços iniciais já variam de R$ 8,5 mil a R$ 9 mil. Em áreas mais exclusivas, como na região da Praia Mansa, o valor do metro quadrado chega a ultrapassar R$ 15 mil. “É um aumento muito expressivo para o padrão do nosso Litoral e mostra como a infraestrutura foi determinante para essa mudança”, revela Galiano.
Não só a melhoria na infraestrutura como o perfil dos novos empreendimentos em Caiobá influenciaram no aumento do valor do metro quadrado na região. Se antes predominavam edifícios antigos, com pouca área de lazer, hoje o mercado tem oferecido apartamentos de alto padrão, com até cinco suítes e metragens que variam de 150 a 370 metros quadrados, mais estrutura de lazer completa.
A facilidade e a proximidade com Curitiba atrai também principalmente compradores e investidores da capital. “Na alta temporada, as pessoas gastam de 6 a 8 horas na estrada a caminho das praias de Santa Catarina. No show do Gusttavo Lima em Matinhos, dias atrás, as pessoas demoraram 1h30 para voltar para Curitiba – mesmo com a praia lotada”, salienta.
O comportamento do comprador mudou. “Muita gente passou a buscar no Litoral uma extensão da sua residência principal. O morador de Curitiba quer encontrar na praia o mesmo nível de conforto e estrutura que tem na cidade”, explica o diretor da Ademi-PR.
Ainda dá tempo de investir?
Apesar do cenário positivo, o especialista faz um alerta para quem pretende investir. O momento ainda é favorável, especialmente para imóveis bem localizados, com potencial de locação por temporada ou para projetos de retrofit, mas parte do mercado já passou pela fase mais intensa de aquecimento.
Em Matinhos, o cenário foi de forte valorização nos últimos anos, especialmente após as obras de revitalização da orla. No momento atual, porém, o mercado começa a dar sinais de estabilidade, com pequenas correções de preço dependendo do tipo de imóvel.
“O imóvel subiu de forma muito acelerada. Agora o mercado tende a passar por um período de acomodação, o que é natural, antes de retomar novas altas”, avalia o especialista. A expectativa, segundo ele, é de que a conclusão da ponte volte a impulsionar a valorização na cidade.
“A liquidez ainda existe, mas com mais negociação. É preciso cautela e análise, porque o mercado está mais moderado depois de altas muito fortes”, afirma.
A expectativa de longo prazo, no entanto, segue otimista. Com a conclusão da ponte, Galiano estima uma valorização adicional de cerca de 20% nos imóveis do Litoral do Paraná, especialmente em Caiobá, reforçando o potencial da região como destino de moradia, lazer e investimento.



