Um homem de 41 anos foi preso preventivamente pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) nesta quinta-feira (19/02), após se apresentar na delegacia. Ele é suspeito de matar Hiago Martins Pinheiro, o Jago, de 25 anos, no Centro de Curitiba, na noite de 12 de fevereiro.
A equipe de investigação realizou diversas diligências para chegar até o suspeito. De acordo com a delegada Magda Marina Hofstaetter, a identificação foi possível graças ao depoimento de testemunhas e imagens de câmeras de segurança da região.
Com base nas provas coletadas durante as investigações, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do homem, que foi prontamente autorizada pela Justiça. O crime teria ocorrido após uma discussão entre os envolvidos.
O suspeito decidiu se apresentar voluntariamente na delegacia após a divulgação das imagens que o identificavam. Durante o depoimento, ele confessou o crime.
Segundo informações da polícia, o homem já possui antecedentes criminais por tráfico de drogas e lesão corporal. Após os procedimentos de praxe, ele foi encaminhado ao sistema penitenciário, onde permanecerá à disposição da Justiça.
Quem era o Jago
Músico dedicado e autodidata, Hiago transformou a guitarra em sua arte. Também era compositor e baterista, muito presente na cena musical de Curitiba, tendo tocado em bandas como Crotch Rot, Cães de Terminal e Dinheiro Emprestado.
Bilíngue, colaborava com a publicação internacional VegOut Magazine. Seu artigo, “The Infrastructure of Kindness”, foi publicado em novembro na edição premium da revista. Recentemente, havia sido aprovado no vestibular e se preparava para se mudar para Campos do Jordão (SP), onde iniciaria o curso de computação em um instituto federal.
Segundo a família, Jago era trabalhador, frequentemente em escala 6×1. Ele muitas vezes pedalava longas distâncias diariamente para garantir o próprio sustento. Pouco antes de sua morte, havia realizado uma cicloviagem de mais de 1000 quilômetros, demonstrando sua disciplina, coragem e amor pela natureza.
O crime
Segundo a nota oficial divulgada pela família, o episódio teve início no bar Taverna do Moe, no bairro São Francisco. Hiago e dois amigos informaram ao responsável pelo estabelecimento, Moacir Rossi de Godoy, que a máquina de fliperama não funcionou. Os jovens foram verbalmente agredidos e decidiram deixar o local.
Após se sentarem em uma mesa do lado de fora, Moacir, com um objeto que parecia ser um pé de cabra e acompanhado de outro funcionário, expulsou os três jovens, que atravessaram a rua para outro bar próximo.
“Em seguida, conforme relatos de testemunhas e informações já encaminhadas às autoridades, Moacir Rossi de Godoy, saiu de seu estabelecimento, atravessou a rua e iniciou as agressões físicas contra um dos rapazes. Hiago se levantou para defender o jovem e, nesse momento, foi atingido no peito por um golpe de faca, de forma vil e sem ter oportunidade de reação, vindo a falecer no local”, diz a nota da família.
Moacir Rossi de Godoy, apontado pelas autoridades como autor do crime, encontra-se foragido até o momento, conforme informações oficiais.
A família de Hiago pede justiça e que a memória do jovem seja preservada com dignidade. “Sua trajetória de generosidade, esforço e construção pessoal não pode ser reduzida ao ato de violência que interrompeu sua vida”, finaliza a nota.



