Medicamentos como a hidroxicloroquina, cloroquina e ivermectina foram tema de debate, em reunião na sexta-feira (17), entre a diretoria da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) e médicos especialistas.

No encontro, o secretário Beto Preto e a coordenadora de vigilância epidemiológica da secretaria, Acácia Nasr, ouviram o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clóvis Arns da Cunha, que alertou a Sesa sobre o uso de medicamentos que não tenham evidência científica comprovada contra o coronavírus (covid-19). O grupo também debateu o uso de medicamentos analgésicos e a forma como estão sendo aplicadas as doses de tais substâncias.

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Segundo o governo do estado, reuniões como essa têm sido frequentes neste período de pandemia, para que sejam apresentados estudos, considerações e sugestões que auxiliem nas decisões da Sesa sobre as ações contra o avaço da covid-19 que vem crescendo no Paraná. 

Beto Preto ouviu as opiniões sobre medicamentos, gestão dos leitos, situação das unidades hospitalares, assim como as preocupações dos médicos que atuam nos hospitais da capital paranaense e que são referência nas áreas de infectologia, medicina intensiva, epidemiologia, pediatria em hospitais que atuam com pacientes do SUS e particulares.

“Nossas preocupações, nossas angústias convergem, entendemos que mesmo que amplie leitos e equipamentos os recursos são finitos”, disse o secretário.

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Além do debate sobre medicamentos, Clóvis Arns sugeriu ao governo investimentos para auxiliar na melhor condução da saúde. “Pensamos dessa forma, em investimentos em estruturas permanentes e não em medicamentos sem eficiência comprovada. Não podemos investir dinheiro público em algo sem comprovação, baseado em opiniões apenas. Os medicamentos passam por diversos estudos e testes para serem comprovadas as melhores condições para uso e não é o que vemos acontecer nos últimos meses”, destacou Cunha.

Ele recomendou que medicamentos como a ivermectina sejam usados apenas nas indicações já estabelecidas anteriormente. “Qualquer medicamento deve ser utilizado conforme estabelecido e comprovado. Não podemos indicar ou sugerir nada que seja duvidoso para investimentos do governo”, reforçou o infectologista.

Já a Mirella Oliveira, coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva do Complexo Hospitalar do Trabalhador e integrante da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), falou sobre a qualificação necessária dos profissionais para atuação em unidades de terapia intensiva.

“Sabemos do esforço que o estado e a Sesa têm feito e os parabenizamos por isso. Mas além de equipamentos, de camas e insumos, temos a preocupação com os profissionais que atuarão nas alas covid-19 em terapia intensiva. Esse recurso humano é escasso e está esgotado, não somente dos médicos, mas também das outras profissões que compõem a equipe multiprofissional”, alertou Mirella.

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O grupo também falou sobre a falta de profissionais devido ao afastamento pela covid-19, falta de profissionais com treinamento adequado para atuar em leitos da doença, condição severa em que os pacientes têm chegado aos serviços nas unidades hospitalares, crescimento do período de permanência dos pacientes internados.

O cuidado individual foi citado como forma de evitar o colapso do sistema hospitalar. “Tenho dito e repito aqui. Além de leitos, remédios e equipamentos, precisamos que cada indivíduo se cuide e cuide da sua família para evitar contrair o novo coronavírus”, reforçou Beto Preto.

Por último, mas não menos importante no debate, a manutenção do isolamento e do distanciamento social foi apontada como fundamental e necessária para interromper a pressão nos hospitais. “Sabemos que a população não está mais suportando ficar em quarentena, não é fácil. Mas nós médicos também não aguentamos mais trabalhar 14, 16 horas por dia com alto nível de stress em função do alto risco de contágio do vírus, pelo cuidado excessivo que temos que ter para trabalhar nas alas de isolamento”, finalizou o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.