Após assembleia realizada na terça-feira (20), os trabalhadores dos hospitais Vita BR e Vita Batel, em Curitiba, decidiram nesta quarta-feira (21) manter a greve. A paralisação começou na última quinta-feira (15) e mobilizou cerca de 200 trabalhadores, após atrasos no pagamento dos salários e benefícios referentes ao mês de setembro.

continua após a publicidade

Segundo o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba e Região (Sindesc), a expectativa era de que a instituição realizasse os pagamentos na terça-feira. A empresa propôs parcelar os valores devidos aos funcionários que desejam sair do Hospital VITA Batel, alegando dificuldades financeiras.

Segundo o Sindesc, a Justiça concedeu uma liminar de arresto, que permite bloquear recursos que entrarem na conta da empresa para garantir o pagamento dos funcionários.

A expectativa é que valores relacionados sejam antecipados e destinados ao pagamento referente a setembro, mas o dinheiro ainda não havia sido recebido até a data. A empresa propôs parcelar as verbas rescisórias dos funcionários que desejam deixar o hospital, mas a proposta seguia em negociação. Enquanto isso, a greve dos trabalhadores continuava.

Alerta para crise na rede privada

continua após a publicidade

Para o Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná (Sindipar), o caso da greve nos hospitais Vita reforça um cenário de dificuldades financeiras enfrentadas pela rede privada de saúde no Paraná. Em posicionamento divulgado na terça-feira (20), o sindicato alertou que os problemas de caixa no Vita não são isolados, mas fruto de um desequilíbrio econômico no setor.

A entidade aponta que fatores como a defasagem das tabelas pagas pelas operadoras de planos de saúde, atrasos nos repasses, alta nas glosas (recusa de pagamento por procedimentos) e o aumento contínuo dos custos operacionais têm sufocado financeiramente os hospitais.

continua após a publicidade

“O Sindipar vem alertando há muito tempo que os hospitais privados enfrentam um desequilíbrio financeiro crescente. Quando um hospital enfrenta dificuldades para manter suas operações, os impactos atinge toda a cadeia. Precisamos garantir condições para que as instituições consigam honrar seus compromissos e manter seus trabalhadores”, afirmou o presidente do Sindipar, Álvaro Quintas.

Defasagem de tabelas e retração de caixa

O Sindipar aponta que, enquanto a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) autorizou reajuste de 6,06% nos planos individuais em 2025, a inflação médica do setor variou entre 13% e 15%. Além disso, os planos de saúde registraram lucro de R$ 11,1 bilhões em 2024, enquanto a margem de faturamento dos hospitais caiu aproximadamente 40%.

Para o sindicato, somam-se a esse cenário o atraso nos pagamentos dos planos às instituições (com prazo médio superior a 78 dias) e o impacto do piso nacional da enfermagem, que representou um incremento de R$ 500 milhões nas despesas dos hospitais no Paraná.

“Quando os recursos demoram a entrar, as instituições precisam recorrer ao capital de giro e ao endividamento. A sustentabilidade financeira dos hospitais é também uma questão de proteção ao emprego e segurança assistencial”, completou Quintas, cobrando medidas urgentes e diálogo entre operadoras, governo e o setor hospitalar.