O fim da escala 6×1 acendeu um alerta nas empresas de transporte coletivo de Curitiba e Região Metropolitana. A necessidade de contratações imediatas para suprir as novas folgas semanais gera discussões sobre a disponibilidade de profissionais e os custos das operações.
Atualmente, o sistema da capital paranaense conta com pouco mais de 2,5 mil motoristas em atividade nas concessionárias. Enquanto o setor produtivo teme um apagão de mão de obra qualificada, a Urbs (Urbanização de Curitiba S.A.) descarta riscos de desabastecimento ou de redução de frotas nas linhas.
Empresas apontam escassez de mão de obra qualificada
Levantamentos em âmbito nacional conduzidos pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) indicam barreiras práticas para a ampliação das equipes. Os dados apontam que mais da metade das operadoras brasileiras de transporte coletivo urbano já enfrenta dificuldades para preencher vagas operacionais.
O presidente do Curitibus (coletivo das empresas de ônibus de Curitiba), Angelo Gulin, defende que a mudança ocorra de forma gradativa para preservar o atendimento à população. “A falta de mecânicos especializados afeta diretamente a manutenção das frotas e a regularidade das operações”, destaca o dirigente.
O peso da folha de pagamento no transporte
O impacto financeiro provocado por contratações adicionais recairia diretamente sobre a folha de pagamento das concessionárias do serviço. Consequentemente, esse encargo extra seria repassado ao poder concedente na próxima revisão da planilha de custos.
As despesas com os funcionários representam hoje aproximadamente 50% da planilha de custos da operação.
Urbs nega riscos de redução de frotas
Em contrapartida ao posicionamento das empresas operadoras, o poder público descarta prejuízos ao pleno funcionamento das linhas em Curitiba. Em nota oficial, a Urbs garantiu que a transição de escala não afetará o atendimento nas linhas municipais.
O órgão municipal ressaltou que o encerramento da jornada 6×1 não trará o risco de falta de profissionais. A empresa também negou a possibilidade de cortes na frota operante ou alterações nas tabelas de horários dos ônibus.
Impacto econômico limitado divide analistas
O Ministério Público do Trabalho do Paraná (MPT-PR) acompanha a discussão de forma favorável ao fim da escala 6×1. O procurador Fabrício Gonçalves de Oliveira afirma que a medida reduz a sobrecarga de trabalho e diminui faltas por problemas de saúde.
Oliveira cita estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para fundamentar a viabilidade das novas escalas. “A estimativa é inferior a 1% do custo operacional na maioria dos setores produtivos, o que reforça a viabilidade dessa transição”, argumenta o procurador.
Automação traz folga financeira para o sistema
O economista Daniel Poit, especialista em Engenharia de Qualidade, afirma que o avanço tecnológico promovido no transporte público de Curitiba alterou significativamente a estrutura de despesas das empresas. De acordo com o consultor, as catracas eletrônicas e a bilhetagem reduziram drasticamente a dependência de cobradores.
Poit ressalta que os veículos modernos transportam muito mais usuários do que antigamente, consumindo proporções similares de combustível. “Atualmente as cobranças já são praticamente automatizadas em todos os ônibus, em todos os terminais, em todos os tubos.”
