As reclamações de moradores de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, por causa do barulho madrugada adentro de uma rave (festa de música eletrônica), em 26 de maio, ligou o sinal de alerta da Polícia Civil. O delegado Clóvis Galvão, da Delegacia Móvel de Atendimento a Futebol e Eventos (Demafe), entrará com pedido de proibição de todas as festas deste tipo na capital e cidades vizinhas na quinta-feira (13).

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O delegado fará a solicitação na reunião com a Comissão Permanente de Análise de Eventos de Grande Porte (Cage), órgão da prefeitura de Curitiba responsável por eventos. “Espero que eles proíbam a liberação de alvarás para esse tipo de festa”, afirma o delegado.

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A Demafe, que atua em grandes eventos, como shows e partidas de futebol, tomou a decisão após receber muitas reclamações por causa do som alto destas festas. Na rave do dia 26 de maio houve um agravante: dois ônibus foram incendiados após uma briga entre grupos que estavam na festa. “A posição da Demafe é de proibição destas festas. Vou entrar com o pedido para que tomem providência e não deem o alvará”, reforça Galvão.

O Bioparque, local que recebe diversas festas raves, fica bem na divisa de Curitiba com São José dos Pinhais. No dia 26, um sábado, a prefeitura da Região Metropolitana recebeu diversas reclamações do barulho da rave ao longo de toda a noite, até 7h de domingo. O problema é que a prefeitura de São José dos Pinhais nada pode fazer, já que o endereço do Bioparque é em Curitiba. Já na capital, como há poucos moradores no entorno do local, são raras as reclamações.

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Por causa disso, a procuradoria de São José dos Pinhais enviou ofício à prefeitura de Curitiba, ao Ministério Público e à Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Paraná solicitando uma providência, mais especificamente, o fim das raves no Bioparque.

“Chegaram reclamações de lugares que ficam a 4 km do local da festa. Infelizmente todo o impacto ruim dessas festas acontece aqui em São José dos Pinhais”, argumentou o secretário de Segurança de São José dos Pinhais, Fabiano da Rosa, em entrevista à Gazeta na semana da rave.

Só nesta festa do dia 26, a prefeitura da Região Metropolitana estima que 40 mil pessoas tenham sido impactadas pelo barulho madrugada adentro. A estimativa é baseada na população que vive nos bairros onde moradores fizeram reclamações: Cidade Jardim, São Cristóvão e Aristocrata.

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As reclamações de barulho em festas no Bioparque, entretanto, já vem de alguns anos. Reportagem da Gazeta mostra que em uma festa eletrônica em novembro de 2017 gerou 68 reclamações na Guarda Municipal de São José dos Pinhais. Algumas delas eram de moradores que estavam a 15 km de distância do festival de música eletrônica.

Outro motivo apontado pela Demafe para a proibição desse tipo de festas é o grande consumo de substâncias ilícitas por parte do público. “Sem festa, não tem como eles usarem drogas. Essa é a nossa posição: proibição”, enfatiza o delegado.

Outro lado

Para Patrick Cornelsen, dono da empresa Planeta Brasil, responsável pela festa de música eletrônica Zoominimal, realizada no dia 26 de maio, afirma que não há porque proibir eventos de música eletrônica em Curitiba se tudo estiver dentro da lei. “É mais fácil você proibir alguma coisa do que criar leis de regulamentação. Temos toda a documentação necessária e atuamos na legalidade”, defende-se.

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Em relação ao consumo de drogas, Cornelsen defende que qualquer evento de grande porte está sujeito a isso, não somente os de música eletrônica. Em eventos organizados pela Planeta Brasil, ele afirma que há revistas minuciosas, mas que isso não garante que não haverá consumo de drogas.

“Se nosso profissional achar alguma substância ilícita, proibimos a entrada da pessoa no evento. Porém, só podemos proibir que ela entre no evento. A apreensão é de responsabilidade da polícia”, argumenta.

A reportagem procurou outras empresas que organizam festas eletrônicas em Curitiba e Região Metropolitana, mas elas não quiseram se manifestar.

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