Moradores de diferentes bairros de Curitiba chegam a este domingo (16) enfrentando mais de 48 horas de problemas no abastecimento de água. Já é o terceiro dia consecutivo sem abastecimento regular. Relatos de torneiras secas se estendem desde sexta-feira (14), e a previsão para a normalização do serviço foi alterada ao longo do fim de semana, sem prazo definido.

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Entre as regiões afetadas estão Hauer, Boqueirão, Alto Boqueirão, Xaxim, Uberaba, Jardim das Américas, Guabirotuba, Campo de Santana, Ganchinho, Tatuquara, Sítio Cercado, Pinheirinho, Umbará e Cidade Industrial de Curitiba (CIC).

A duração da interrupção agrava a situação principalmente para famílias que já consumiram a água armazenada nas caixas-d’água. Pela regulamentação estadual, os reservatórios dos imóveis devem ter capacidade para garantir pelo menos 24 horas de consumo. Com o desabastecimento ultrapassando dois dias em algumas regiões, essa reserva pode não ser suficiente.

Maria Ramos, moradora do bairro Hauer, está sem água desde a noite de sexta-feira (14). Segundo ela, a Sanepar havia informado previamente sobre a interrupção, mas a expectativa era de que o abastecimento fosse retomado ainda na sexta. Desde então, o prazo foi alterado várias vezes e, agora, a previsão é de retorno apenas na manhã de segunda-feira (17).

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Para Maria, as sucessivas mudanças dificultam ainda mais a rotina. “O pior transtorno é que eles ficam mudando a data para voltar a água e a gente não consegue se programar. Não dá nem para cozinhar”, relata. Ela mora com o marido e animais e destaca que, no condomínio, há também crianças e idosos enfrentando a falta de água.

Flávio Oronzo Casili, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do Boqueirão, afirma que os relatos de falta de água começaram a chegar pelos grupos da entidade na sexta-feira (14) e aumentaram ao longo do fim de semana. Segundo ele, além do desabastecimento, moradores reclamam das mudanças sucessivas nos prazos informados para a retomada do serviço e da dificuldade de obter informações atualizadas pelos canais da Sanepar.

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“O status do retorno do abastecimento, em muitos locais, não condiz com a realidade. A data muda e, em alguns casos, aparece que a água deveria ter voltado, mas não voltou. Está havendo muita divergência de informação”, relata.

Casili afirma ainda que há registros de moradores que aguardaram entre 20 e 30 minutos pelo atendimento telefônico sem conseguir uma solução. Diante das reclamações, o Conseg do Boqueirão encaminhou um ofício à Sanepar solicitando esclarecimentos sobre a situação e, até o momento, aguarda retorno da companhia.

O problema também atinge municípios da Região Metropolitana. Em São José dos Pinhais, a lista divulgada inclui Centro, Aristocrata, Barro Preto, Del Rey, Arujá, Itália, Bom Jesus, Cruzeiro, Quississana, Pedro Moro, Colônia Rio Grande, Santo Antônio, Zacarias, Ouro Fino, Costeira, Guatupê, Academia, Cristal, Residencial Gralha Azul, Jardim Brasil e Parque Industrial.

Em Pinhais, podem ter sido afetados Jardim Amélia, Jardim Tropical e Vila Maria Antonieta. Já em Piraquara, a relação inclui Guarituba, Jardim Tropical, Vila Nova e Holandês.

Previsão de normalização mudou durante o fim de semana

Na sexta-feira, quando começaram os problemas, a expectativa era de recuperação gradativa do fornecimento ainda naquela noite. O abastecimento, porém, não foi normalizado em todas as regiões, e moradores continuaram sem água durante o sábado e neste domingo.

Agora, segundo a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), a previsão é de que o serviço seja normalizado gradualmente até o fim da tarde deste domingo (16). Isso significa que a água pode retornar em horários diferentes, dependendo da localização do imóvel.

Sanepar atribui falha a “sequência de ocorrências”

A companhia atribui a situação a uma sequência de ocorrências. As tempestades registradas na noite de sexta-feira aumentaram a turbidez dos rios utilizados para captação. O volume de sedimentos carregados pela chuva dificulta o tratamento dentro dos padrões de qualidade e pode afetar equipamentos das estações.

Ao mesmo tempo, duas adutoras de grande porte foram rompidas durante obras realizadas por terceiros, segundo a Sanepar. As tubulações transportam grandes volumes de água e precisaram ter o funcionamento interrompido para os reparos.

A companhia também relaciona episódios desse tipo à maior ocorrência de tempestades associadas ao El Niño, que pode aumentar a frequência de eventos meteorológicos intensos no Sul do Brasil. Chuvas fortes podem elevar a quantidade de sedimentos nos mananciais, enquanto ventanias podem provocar interrupções de energia e comprometer bombas e outros equipamentos do sistema.

Retorno da água ocorre de forma gradual

Mesmo depois da retomada da produção, o abastecimento não volta simultaneamente para todos os imóveis. Segundo a Sanepar, primeiro são atendidas áreas mais próximas das estações e que exigem menos bombeamento. Regiões mais distantes ou localizadas em pontos elevados podem levar mais tempo para receber água novamente.

A população pode consultar a situação do abastecimento por endereço no mapa disponibilizado pela companhia. O atendimento da Sanepar também funciona pelo telefone 0800 200 0115, WhatsApp (41) 99544-0115 e e-mail atendimentoaocliente@sanepar.com.br.