Uma idosa de 80 anos moradora de Curitiba perdeu R$ 1.971.826,00 ao cair no “golpe do falso advogado”. Acreditando que receberia R$ 7 milhões de um antigo processo do marido já falecido, a viúva fez sucessivas transferências bancárias para criminosos que se fingiam de defensores jurídicos e representantes do Banco Central.
O esquema foi desmantelado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), que apresentou denúncia criminal contra 15 pessoas envolvidas na fraude nesta segunda-feira (19).
Procurado pela Tribuna do Paraná, o MPPR revelou que os 15 denunciados moram no Estado do Ceará e cederam suas contas bancárias para receber e movimentar o dinheiro cobrado no golpe.
Segundo as investigações, a quadrilha montou uma estrutura bem elaborada para passar credibilidade e não deixar dúvidas. O contato começava pelo WhatsApp e evoluía para chamadas de vídeo.
Do outro lado da tela, os estelionatários usavam termos técnicos, documentos com timbres clonados e nomes de órgãos respeitados, como a Caixa Econômica Federal e o próprio Banco Central.
Para convencer a idosa a enviar o dinheiro, os golpistas diziam que a quantia de R$ 7 milhões já estava liberada pela Justiça, mas que a liberação final dependia do pagamento antecipado de supostas custas processuais, taxas e impostos. Pressionada, a viúva realizou dezenas de transferências até perceber que havia sido vítima de uma grande fraude.
A forma exata como a quadrilha obteve as informações do falecido marido da idosa ainda está sendo apurada. No entanto, o Ministério Público destacou à reportagem que os golpistas costumam usar dados reais extraídos de consultas públicas.
“É importante lembrar que os golpistas podem conhecer o nome do advogado, o número do processo, usar nomes de pessoas do Poder Judiciário e até informações pessoais da vítima. Portanto, o fato de a mensagem conter dados verdadeiros não significa que seja legítima”, alertou o Promotor de Justiça Marcelo Adolfo Rodrigues, do MPPR.
Após investigação da 4ª Promotoria de Justiça de Prevenção e Persecução Criminal de Curitiba, o caminho do dinheiro foi rastreado até os integrantes do grupo. Ao todo, 15 pessoas foram denunciadas à Justiça pelo crime de estelionato por fraude eletrônica. Ao serem denunciados à Justiça, os investigados serão julgados.
As investigações foram desmembradas para tentar localizar os valores e identificar os mentores do crime. Com relação a chance de a viúva reaver o valor, o MPPR informou que isso é possível, mas depende do bloqueio de bens e da condenação dos envolvidos. “Existe, sim, a possibilidade de a vítima recuperar o dinheiro, embora ainda não seja possível garantir que isso ocorrerá”, explicou a promotoria.
Como não cair na armadilha
Para evitar novas vítimas, o MPPR reforça que a população nunca deve fazer depósitos sem antes confirmar as informações diretamente com o advogado responsável pela causa, usando telefones antigos e confiáveis.
“A primeira orientação é muito simples: não faça nenhum pagamento antes de verificar a autenticidade da cobrança e da pessoa que está solicitando o valor”, orientou o promotor. Caso a vítima já tenha realizado transferências via Pix, a orientação é acionar imediatamente o banco para pedir o Mecanismo Especial de Devolução (MED) e registrar o boletim de ocorrência na polícia.
