As fábricas multinacionais, como LG, Electrolux e Horse, chegam à Grande Curitiba e, com elas, milhares de vagas de emprego. Mas há um porém: boa parte delas pede um trabalhador que saiba operar robôs, programar máquinas e manter uma linha automatizada. E esse profissional ainda é escasso.
Apesar do cenário, a indústria já é a maior geradora de emprego do estado. Em abril de 2026, abriu 2.173 vagas formais e respondeu por 93% de tudo o que o Paraná criou no mês, segundo o Novo Caged.
A questão é se vai haver gente preparada para ocupar essas funções. “Existe, sim, dificuldade para encontrar profissionais qualificados, principalmente em automação, manutenção industrial e mecatrônica”, admite Fabiano Prato Rath, gerente sênior de Educação Profissional do Senai.
Onde falta gente?
Fabiano destaca que essas áreas exigem processos mais avançados, e é o que as plantas novas mais procuram. A demanda vem de várias frentes ao mesmo tempo: manufatura, automotivo, tecnologia e agro, todas em expansão no Paraná.
O gargalo não é só daqui. Segundo o especialista, a falta desse perfil técnico aparece em outras regiões do país e até fora dele. Em alguns setores, diz ele, “a velocidade da expansão econômica tem sido maior do que a capacidade imediata de mão de obra”.
Mas o gestor enxerga o outro lado da moeda. “Quanto mais investimento em qualificação e requalificação, maiores as chances de conectar os trabalhadores às vagas das empresas.” Para quem está atrás de emprego, em outras palavras, a escassez é também uma porta aberta.
Formar no ritmo da fábrica
A aposta do estado para fechar essa conta é o Senai. Por enquanto, ela tem fechado: entre os ex-alunos da instituição no Paraná, 86,9% estão empregados. O segredo, segundo o gestor, é colar o curso na fábrica. “Os currículos são atualizados com base nas demandas das empresas e nos avanços tecnológicos”, explica.
Laboratórios modernos e parcerias com fornecedores de tecnologia levam o equipamento novo para a sala de aula quase na mesma velocidade em que ele chega à linha de produção.
Para formar mais gente e mais rápido, o Senai ampliou o ensino semipresencial, com laboratórios virtuais e simuladores. Mas sem abrir mão da prática: “O aluno chega mais preparado e aprende fazendo”, resume Rath. E não é só na capital. O Senai se espalha por várias cidades do estado, o que permite preparar o trabalhador perto de onde a indústria se instala.
A oferta segue o mapa da procura: a entidade prepara uma nova unidade em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, e mantém matrículas abertas justamente nos cursos que as indústrias mais pedem: Automação Industrial e Mecatrônica.
Duas corridas ao mesmo tempo
Para Rath, é essa engrenagem que decide se o investimento vira mesmo emprego, e para quem. “A qualificação é o fator decisivo para transformar investimento em geração efetiva de trabalho”, afirma. “É o que permite que as vagas sejam ocupadas pelos próprios paranaenses”, completa.
No fim, o Paraná disputa duas corridas: a de atrair as fábricas e a de formar quem vai trabalhar nelas. Essa segunda se decide agora: na sala de aula.
