Depois do álcool em gel, máscara de proteção e até da compra alucinada de papel higiênico, agora chegou a vez das cadeiras de escritório. A comercialização deste produto assumiu o protagonismo com a pandemia do novo coronavírus, pois muitas empresas adotaram aos colaboradores a chance de trabalhar nas suas próprias residências, evitando assim a contaminação pelo covid-19. É o chamado sistema home office e para possibilitar um maior conforto evitando dores na coluna, muitas pessoas estão comprando cadeiras de escritório. Os modelos variam e os preços também, mas uma nova pode chegar a até R$ 47 mil, ou seja, mais caro que um carro considerado popular no Brasil.

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Só para ter uma ideia no crescimento na procura por cadeiras, o site e aplicativo OLX, percebeu que este item foi o mais procurado no Brasil, com aumento de 417% nas buscas. O mouse aparece em segundo lugar no ranking, com crescimento de 266%, enquanto o teclado, em terceiro lugar, teve alta de 208% na procura em relação ao período pré-pandemia. Um dos motivos para realizar a pesquisa é que as pessoas como não tem previsão de retorno para as sedes das empresas, estão sentindo o desgaste de trabalhar em uma posição sem sempre favorável a saúde. Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apontou que dos 41% dos 44 mil entrevistados passaram a sentir dores nas costas na pandemia.

Endrigo Pacheco, 40 anos, é contador e trabalha para uma instituição financeira. No começo da pandemia, a cadeira acabou quebrando e teve que recorrer a uma compra. Com as lojas fechadas, utilizou a internet, mas não deu muito certo.“Comprei uma cadeira em uma grande rede de eletrodomésticos, porém a experiência foi muito ruim. A cadeira veio faltando uma peça e até hoje não foi substituída. Está aqui em casa em uma caixa. Logo após a reabertura do comércio, fui até uma loja próxima a minha residência e efetuei a compra sem maiores dificuldades. A intenção de adquirir a cadeira foi pensando na postura e o conforto, pois passo o dia no escritório, e a noite, tenho aula de idioma pelo computador duas vezes por semana. Tive dores nas costas e torcicolo, pois estava sentando em uma cadeira não apropriada”, comentou Endrigo.

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Esta relação com a comodidade e cuidados com a saúde na hora do trabalho foi percebida há mais de 20 anos pelas empresas do ramo de móveis. Ramon Samudio, 43 anos, é especialista em designer corporativo da empresa Classe A Flex, com sede em Curitiba. Sem loja física e usando somente o site para comercializar, a visualização de interessados em comprar cadeiras dobrou neste período de distanciamento social. Além disto, houve uma alteração no cliente, que antes atingiam grandes empresas para chegar agora diretamente nas casas das pessoas. “Percebemos que o volume de acessos no site aumentou consideravelmente e não estamos tendo prejuízo com esta crise. Naturalmente, as vendas no atacado diminuíram, mas estão sendo recompensadas pelo cliente que está trabalhando em casa”, disse Ramon.

Cadeira Gamer e Luxo

Uma febre entre os adolescentes é a cadeira gamer. Com estilo esportivo semelhante aos carros de corrida, a procura aumentou. No entanto, ela não é indicada para o uso por longas horas como se faz para o trabalho. A explicação está até estrutura física de muitos brasileiros, que estão acima do peso.

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“Esta cadeira é fabricada na China e por lá, a média das pessoas não ultrapassa 70 kg. Aqui varia mais e a espuma não suporta e aí ela não é adequada para o trabalho. Um recado importante é valorizar o mercado nacional e até uso a expressão que na empresa não temos vendedores e sim, consultores. A altura e o peso são fundamentais para saber se aquela cadeira vai ser ideal para você. Temos até o cuidado de verificar a mesa de trabalho e em alguns casos, chegamos a alterar também esta sustentação”, explicou o designer.

Cadeira Classe A Flex é feita no Japão e custa R$ 47.178,00. Foto: Divulgação.

Os valores de uma cadeira de escritório variam bastante até pelas inúmeras opções. As mais baratas ficam em torno de R$ 200, mas tem modelo que ultrapassa o preço de um carro popular sendo vendida hoje a R$ 47.178 na Classe A Flex. A Duke/Okamura, é feita no Japão com uma tecnologia de ponta que oferece ao usuário um suporte perfeito para as costas e lombar, com um sistema de almofadas moldados em uretano, encosto em forma de favo de mel e estrutura de alumínio. “Raramente sai um pedido, mas vende sim. Ela é a cadeira que qualquer pessoa bem-sucedida sonha em ter”, disse Ramon.

A cadeira ideal e cuidados com a coluna

Segundo Eunice Tokars, fisioterapeuta e professora da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) com doutorado em Ergonomia, a cadeira é um ponto muito importante na hora do trabalho, mas que outras preocupações também afetam a coluna. “ Estamos vivendo uma época muito diferente. A sensação que vivemos é de tensão no ar. Várias coisas influenciam o nosso corpo, pois não estamos nos movimentando como deveria e isto influência na resposta muscular. O ideal é uma cadeira com encosto um pouco reclinável, no caso da altura, os pés precisam encostar no chão e de preferência não usar apoio, pois eles precisam se movimentar e ter espaço. Apoie os braços, e de uma em uma hora, ande pela casa. Ah, outra dica que gosto de passar é mudar o ambiente de trabalho”, salientou Eunice Tokars.