Moradores de ruas próximas ao Rio Belém, em Curitiba, têm enfrentado uma piora no descarte irregular de lixo após a retirada de uma caçamba que atendia a comunidade. Sem aviso prévio – mas por um motivo inusitado -, a estrutura foi removida e, desde então, o lixo passou a ser jogado diretamente às margens do rio — um dos mais conhecidos e também um dos mais poluídos da capital paranaense.
“A vizinhança toda usava a caçamba. Agora, todos vêm com o lixo e jogam na beira do rio Belém”, relatou Á Tribuna um morador que preferiu não se identificar. As ruas João Fain, Doutor Simão Kossobudski, Waldemar Loureiro Campos e Canal Belém são algumas das afetadas pela situação, que tem revoltado os moradores e ampliado a sujeira no entorno do rio. Agora, a situação está complicada: muito lixo jogado na beira do Rio Belém.
A caçamba estava no local há anos. Em média, a prefeitura de Curitiba fazia a coleta dos resíduos a cada quinze dias. Desde a remoção, porém, cresceu o número de reclamações à Associação de Moradores do bairro, principalmente pela permanência do hábito de descarte.
Mesmo sem a estrutura, a população continua despejando resíduos no antigo ponto de descarte. O mau cheiro e o acúmulo levam os próprios moradores a empurrar o material para a margem do rio Belém. O acúmulo de lixo foi flagrado pela Tribuna do Paraná no dia 31 de julho. Confira os registros abaixo:

As caçambas eram vistas como uma solução emergencial pelos moradores. Duas quadras acima da rua João Fain, na rua Antônio Schiebel, outra unidade permanece ativa, também próxima ao rio.


Churrasqueira improvisada foi o “BO”
Procurada pela Tribuna, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) explicou que a caçamba foi retirada por questões de segurança, após uma construção inusitada ser feita ao lado da caçamba. Segundo o órgão, moradores construíram uma churrasqueira improvisada ao lado da caçamba, o que dificultava a ação dos caminhões de coleta, que precisavam subir na calçada para acessar a estrutura. A operação apresentava risco de acidentes e danos a muros, carros e à própria calçada.
Como alternativa, o caminhão de coleta passou a atender regularmente até o final da Rua João Fain, na esquina com a Rua Waldemar Loureiro Campos. Já na Rua Antônio Schiebel, a caçamba será mantida.
Lixo no Rio Belém é problema antigo
Com aproximadamente 21,5 quilômetros de extensão, o Rio Belém atravessa 37 bairros de Curitiba, desde o Cachoeira, na região norte, até desaguar no Rio Iguaçu, no Boqueirão. O problema do lixo, portanto, não está restrito à área onde a caçamba foi retirada.
Evelim Silva mora próximo à beira do rio no bairro Guabirotuba, região atendida pelo caminhão de coleta. “Há caçambas em alguns pontos, geralmente quando alguém está fazendo reforma em casa. Mas quando tem, é por iniciativa particular. Não existe caçamba da prefeitura por aqui”, afirma.
Na região onde Evelim mora, o problema se repete: o lixo acaba sendo despejado diretamente no rio. Os resíduos vão desde restos domésticos, como alimentos e sacolas plásticas, até móveis inteiros, como sofás e armários abandonados nas margens.
Descarte irregular é crime ambiental
De acordo com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o descarte irregular de resíduos, inclusive em rios, é considerado crime ambiental e pode gerar multa. Em nota, o órgão reforça que “a população precisa colaborar. A limpeza é feita mediante solicitação via telefone 156, e a prefeitura também mantém serviços frequentes de limpeza dos rios e desassoreamento”.
No mês de julho, teve início uma nova etapa do serviço de limpeza e desassoreamento do Rio Belém, entre as ruas Doutor Bley Zornig e Arlindo Natal, no Boqueirão. Cerca de 400 metros cúbicos de sedimentos e resíduos são removidos diariamente em um trecho de aproximadamente um quilômetro.
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