"Não quero ser a próxima"

Conselho de Psicologia convoca para ato contra o feminicídio no PR

Imagem ilustrativa. Foto: Pixabay.

O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) realizará um ato público contra o feminicídio no próximo dia 8 de março, domingo, como parte da campanha “Não quero ser a próxima: a Psicologia no combate à violência contra as mulheres“. A manifestação acontecerá a partir das 14h, na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio histórico da UFPR, em Curitiba.

A ação terá como elemento central uma intervenção simbólica: 87 pares de sapatos serão dispostos nas escadarias do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná, representando cada mulher vítima de feminicídio no estado durante 2025, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Após o ato, os sapatos serão encaminhados para doação a instituições que dão suporte a mulheres em situação de violência.

“Os sapatos representam o vazio que essas mulheres deixaram, a trajetória que percorreram, a caminhada que fizeram ao longo de suas vidas e o fim trágico e extremamente triste”, afirma a psicóloga Lara Helena de Souza Frasson (CRP-08/33121), Presidente da Comissão da Comunicação do CRP-PR.

A campanha busca conscientizar tanto profissionais da psicologia quanto a sociedade em geral sobre os impactos devastadores da violência contra mulheres. O cenário nacional é alarmante: mais de 1.500 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, enquanto pelo menos 3.867 sofreram tentativas, muitas delas resultando em sequelas permanentes.

Os dados mostram uma tendência preocupante de crescimento. Desde 2015, quando o feminicídio passou a ser tipificado como crime no Brasil, houve um aumento de quase 190% nos casos. Ao longo desta década, mais de 13 mil mulheres tiveram suas vidas interrompidas por crimes de ódio, frequentemente perpetrados por parceiros ou ex-companheiros.

O CRP-PR escolheu estrategicamente o Dia Internacional da Mulher para a manifestação, propondo uma reflexão mais profunda em uma data geralmente marcada por homenagens comerciais. A entidade questiona: o que estamos fazendo coletivamente para proteger a vida das mulheres brasileiras?

“O que esperamos deixar com essa campanha é que precisamos, sim, lutar contra o feminicídio, que não podemos nos calar e que precisamos nos posicionar. A Psicologia, sem dúvidas, é essencial nesse processo”, avalia a conselheira Lara. “Esperamos, com essa ação, realmente conscientizar as pessoas sobre a importância de olharem para a violência de gênero, acolherem as mulheres, oferecerem suporte, auxiliarem umas às outras e, principalmente, conscientizar também os homens de que falar sobre violência de gênero e lutar pelos direitos das mulheres não é uma pauta apenas das mulheres.”

A manifestação é aberta à participação de todos os profissionais de psicologia, sem necessidade de inscrição prévia. O Conselho reforça a importância da presença da categoria para ampliar o alcance e o impacto da campanha.

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