Obras públicas

Como Curitiba tenta evitar alagamentos mesmo com chuvas cada vez mais fortes?

Fotografia em enquadramento amplo de um trecho urbano e rodoviário alagado durante uma chuva intensa. Em primeiro plano, a água barrenta cobre totalmente o asfalto, formando grandes marolas e respingos à medida que os veículos transitam. No centro, uma caminhonete branca com sanantonio e um furgão amarelo avançam pela alagação. À esquerda, outros carros e um caminhão branco com a inscrição "Mercedes-Benz" trafegam pela pista parcialmente coberta de água. À direita, pedestres com guarda-chuvas observam a movimentação na calçada. Ao fundo, veem-se máquinas pesadas, caminhões de carga e torres de alta tensão sob céu encoberto.
Obras de prevenção contemplam parques-esponja e drenagem. Foto: Arquivo/Átila Alberti/Tribuna do Parana.

Mesmo com o grande volume de chuva que caiu sobre Curitiba entre quarta-feira (9) e sexta-feira (11), o impacto nos bairros foi menor do que em eventos anteriores. Segundo os boletins da Defesa Civil municipal, no ápice dos efeitos das tempestades desta quinta-feira (10), a cidade registrou quatro pontos de alagamento, cinco quedas de árvores e duas situação de desabrigados.

No caso mais extremos registrado em 2026, no fim do mês de agosto, 23 pontos ficaram alagados na capital. Cerca de 60 ocorrências de quedas de árvores e galhos foram registradas.

A médio e longo prazo, a Prefeitura de Curitiba pretende reduzir o impacto desses eventos no cotidiano. A justificativa para a redução é que a cidade vem recebendo uma série de obras de drenagem, limpeza de rios e novos espaços urbanos planejados para segurar e escoar a água com rapidez antes que ela invada casas e avenidas.

Ao todo, a capital tem R$ 273 milhões destinados a obras de macrodrenagem. Desde o ano passado, foram iniciadas 12 grandes intervenções desse tipo pela cidade, sendo que cinco já estão prontas e outras sete seguem em andamento.

Quais são essas obras?

Na CIC, a região da Trincheira do Sabará, localizada na na Avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, ganhou um novo sistema de escoamento com 260 metros de extensão, acabando com a água acumulada que travava o trânsito no local.

Já no Tarumã, a Rua Monte Castelo recebeu galerias novinhas após um pedido direto da comunidade, eliminando o risco para moradores e motoristas. O mesmo aconteceu no Xaxim, na Rua Antônio Pupo, onde a tubulação antiga foi trocada por tubos com o dobro do tamanho, levando a água direto e de forma segura para o Ribeirão dos Padilha.

Outro destaque no combate às enchentes são os chamados “parques-esponja” e as bacias de contenção. No Campo Comprido, o Parque Rio Mossunguê ajuda a proteger também áreas do Mossunguê, Santo Inácio, Orleans e São Braz, armazenando o excesso da chuva para liberá-lo aos poucos.

No Atuba, duas grandes bacias de contenção estão sendo construídas para guardar até 150 mil metros cúbicos de água — o equivalente a 60 piscinas olímpicas. Mesmo ainda em obras, as estruturas já estão operando como reservatórios temporários, aliviando a pressão no Rio Atuba e protegendo bairros da região Norte e municípios vizinhos.

Além das grandes construções, o trabalho do dia a dia garante que as galerias e calhas da cidade não fiquem entupidas. Equipes de manutenção percorrem a capital fazendo desobstrução e desassoreamento: mais de 106 quilômetros de rios e córregos já passaram por limpeza recente em Curitiba.

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