Com entrega prevista inicialmente até dezembro de 2026, as obras da terceira pista do Aeroporto Afonso Pena ainda não começaram e dependem da emissão da Licença de Instalação. O licenciamento, concedido pelo Instituto Água e Terra (IAT), autoriza o início efetivo das obras e a execução dos projetos ambientais já aprovados.

continua após a publicidade

O prazo anunciado pelo governador Ratinho Júnior, em novembro de 2025, indicava que a licença seria emitida até março deste ano. O governo divulgou a previsão durante o anúncio do voo direto entre Curitiba e Lisboa, operado pela TAP.

Segundo o IAT, o órgão pode emitir a Licença de Instalação em até seis meses após aprovar a documentação. O prazo pode chegar a um ano, dependendo da complexidade do processo. Depois de emitir a licença, o órgão define validade de até dois anos, com possibilidade de prorrogação conforme o cronograma da obra.

Para que a pista entre em operação, o órgão ambiental ainda precisará conceder a Licença de Operação. Essa autorização só sai após a conclusão dos trabalhos e a verificação do cumprimento de todas as exigências ambientais. Em obras recentes no litoral, como a Ponte de Guaratuba, essa etapa final ocorreu na semana da liberação para uso.

Projetos ligados a obra estão em fase final

continua após a publicidade

Procurada, a Motiva Aeroportos, concessionária responsável pela gestão do terminal, informou que segue no processo de obtenção das licenças ambientais e municipais, incluindo as licenças prévia, de instalação e de operação.

Além das autorizações ambientais, o projeto também depende de ajustes fundiários, como a transferência e regularização de áreas privadas necessárias para a ampliação da pista. A Prefeitura de São José dos Pinhais informou que os projetos de reestruturação viária ligados ao empreendimento estão em elaboração por empresa contratada pela concessionária, com acompanhamento técnico do município.

continua após a publicidade

Segundo a administração municipal, o aeroporto é de responsabilidade da concessionária, cabendo à prefeitura atuar na mitigação dos impactos urbanos. “O primeiro pacote de projetos está em fase final de ajustes e validação. Após a aprovação, será iniciado o processo licitatório para execução das obras, com recursos a serem viabilizados pelo Governo do Estado do Paraná”, informou em nota. Não há licenças pendentes de aprovação no âmbito municipal.

Obra está em sequência de atrasos

A obra integra o contrato de concessão do chamado Bloco Sul e prevê a construção de uma pista com 3 mil metros de extensão, que será a maior do Paraná. A nova estrutura permitirá a operação de aeronaves de maior porte e possibilitará aproximações simultâneas, ampliando a capacidade do aeroporto. Atualmente, o terminal conta com duas pistas, de 1.800 metros e 2.200 metros.

Neste momento, o projeto está com a Licença Prévia, etapa que atesta a viabilidade ambiental e aprova a localização e a concepção do empreendimento ainda na fase inicial de planejamento. No entanto, em dezembro, a concessionária indicava a expectativa de iniciar as obras ainda neste primeiro semestre de 2026.

Apesar disso, o contrato estabelece como prazo final para entrega o dia 31 de dezembro de 2026. Caso se confirmasse o cronograma inicialmente indicado — que previa a liberação da Licença de Instalação ainda neste ano —, a previsão de entrega era no segundo semestre de 2027.

Sem a emissão das licenças necessárias, o prazo já entra em risco. Ao ser questionada sobre as datas, a Motiva Aeroportos afirma que não pode estimar uma nova data de entrega enquanto o licenciamento não estiver concluído.

Paralelamente à obra, está prevista para 2026 a conclusão do processo de transferência do controle dos aeroportos administrados pela Motiva para a empresa mexicana ASUR (Grupo Aeroportuario del Sureste). A aquisição, anunciada em novembro do ano passado, envolve 17 aeroportos no Brasil e outros três no exterior. A mudança no controle acionário, no entanto, não altera investimentos já previstos em contrato com a ANAC.