Morreu nesta terça-feira (24/03), em Curitiba, a ex-vereadora e ex-deputada Arlete Caramês, conhecida como Arlete, mãe do Guilherme. Ativista na luta contra o desaparecimento de crianças, ela se despediu sem conseguir encontrar seu filho, Guilherme Caramês Tiburtius, que sumiu da frente de sua casa, localizada no bairro Jardim Social, em Curitiba.
Ainda não existem informações sobre o velório e sepultamento de Arlete.
A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) lamentou a morte de Arlete, que foi vereadora de 2001 e 2002 (neste mesmo ano foi eleita deputada estadual pelo Paraná). Em 2021, ainda durante a pandemia, a Tribuna relembrou os 30 anos do desaparecimento de Guilherme, numa entrevista emocionante com Arlete. Relembre esta entrevista clicando aqui!
Natural de Porto União (SC), bancária de profissão, Arlete tornou-se ativista e ingressou na política após o desaparecimento de seu filho. O caso teve repercussão nacional e até hoje não foi solucionado.
“Arlete Caramês foi uma mulher inspiradora, que nos deixou um grande legado. Após um evento traumático, transformou-se em ativista e, também por meio da política, conseguiu avanços efetivos na proteção das crianças e dos adolescentes. Nossos sentimentos aos amigos e aos familiares”, declarou o presidente da CMC, vereador Tico Kuzma (PSD).
A vereadora Sargento Tânia Guerreiro (Pode), que há mais de 30 anos atua no combate à pedofilia e ao abuso infantil, também lamentou a perda. “Arlete Caramês nos deixa um legado de coragem, resiliência e compromisso com a vida. Sua história é um testemunho de amor incondicional que ultrapassou a dor e se transformou em luta coletiva. Seu nome permanecerá como símbolo de resistência e esperança”.
Arlete Caramês fundou, em 1992, o Movimento Nacional da Criança Desaparecida do Paraná (CriDesPar), uma ONG voltada à prevenção e à localização de crianças desaparecidas que a tornou reconhecida nacionalmente. Em 1998, Arlete concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados. Apesar dos 30.226 votos, não se elegeu. Dois anos depois, com 14.160 votos, foi eleita vereadora de Curitiba.
No Legislativo de Curitiba, integrou as comissões de Constituição e Justiça (antigamente chamada de Legislação, Justiça e Redação) e de Serviço Público. É autora da lei que instituiu no calendário oficial de eventos da cidade, na terceira semana do mês de julho, a Semana da Prevenção Contra Desaparecimentos de Crianças e Adolescentes (lei municipal 10.529/2002). Também é dela uma norma referente à acessibilidade em caixas eletrônicos (lei municipal 10.521/2002).
Durante seu mandato na Câmara, Caramês apresentou outras propostas de lei voltadas à infância que, apesar de não aprovadas, refletem sua atuação na área, entre elas: divulgação de pessoas pessoas desaparecidas no site da Prefeitura de Curitiba; ficha para identificação de crianças em hotéis; e a exigência de carteira de identidade na matrícula escolar.
O ativismo de Arlete Caramês contribuiu para a criação, em 1995, do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas do Paraná (Sicride), que permanece em atividade até os dias de hoje. De acordo com o site da Polícia Civil do Paraná, o Sicride é a primeira e única estrutura do Brasil dedicada exclusivamente ao desaparecimento de crianças e adolescentes.
Outra conquista em que ela atuou foi na criação da Lei 11.259/2005, que alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para garantir a realização de buscas imediatas após o desaparecimento de crianças e adolescentes ser comunicado aos órgãos competentes. Esses órgãos devem comunicar “o fato aos portos, aeroportos, Polícia Rodoviária e companhias de transporte interestaduais e internacionais, fornecendo-lhes todos os dados necessários à identificação do desaparecido”.
