Tráfico de drogas

Apreensão de crack aumenta 210% e prisões sobem 43% no Centro de Curitiba

A imagem mostra uma viatura da Polícia Militar e dois agentes com a Catedral ao fundo, na Praça Tiradentes.
Polícia Militar na Praça Tiradentes. Foto: Isabella Mayer/Secom.

A apreensão de crack aumentou no Centro de Curitiba no comparativo entre maio e agosto de 2024 e o mesmo período de 2026. Segundo dados fornecidos pelo 33º Batalhão da Polícia Militar (33º BPM) à Tribuna do Paraná, o volume apreendido passou de 0,3 quilo para 0,93 quilo, o que corresponde a uma alta de 210%.

Ainda segundo a unidade, as ocorrências de tráfico registradas passaram de 65 para 72 no período, alta de 11%. O número de pessoas detidas subiu de 208 para 228, crescimento de 9,6%, enquanto os mandados de prisão cumpridos passaram de 64 para 92, aumento de 43%.

O período, segundo o comandante, tenente-coronel Ronaldo Carlos Goulart, engloba uma faixa de tempo em que o batalhão já estava instalado na nova sede no bairro Cristo Rei, para a qual se mudou em fevereiro deste ano. 

“Março e abril foram os meses em que a unidade estava chegando e nós passamos por toda uma fase de transição, preparação e adaptação. Então, por algum tempo, as atividades continuam sendo desenvolvidas no mesmo ritmo enquanto as novas rotinas foram sendo sistematizadas”, disse. Criado para reforçar o combate à criminalidade na região central de Curitiba, o 33º BPM completou um ano no mês de julho.  

A variação de um índice pode ser influenciada por diversos fatores. “Desde a questão econômica, a questão climática, a questão imobiliária, fiscalização da Prefeitura e inúmeros outros”, lista o comandante. Mas, segundo sua avaliação, a subida nas apreensões de crack está relacionada à maior proximidade entre a polícia e a comunidade e às informações repassadas em grupo de WhatsApp mantido com síndicos, moradores e comerciantes. 

“Eu considero que é pela proximidade e confiança da população em fazer denúncias. Penso que esse seja o fator principal, tem ajudado muito”, afirma. Goulart também cita a intensificação do trabalho de inteligência, o uso de drones e a atuação de policiais à paisana, combinados com patrulhamento de motocicletas, viaturas, policiamento a pé e em alguns pontos fixos.

Maiores desafios

O microtráfico é apontado pelo comandante como um dos principais desafios do batalhão na região central. Segundo ele, sua característica é o fracionamento das substâncias em pequenas quantidades, o que dificulta a atuação policial durante as abordagens.

“São pessoas que comercializam entorpecentes, mas sempre em uma quantidade muito pequena, até mesmo como uma estratégia para se esquivar da atuação das leis. Ele é sempre encontrado com quantidades pequenas para que diante da abordagem, quando ele é flagrado, ele alega que é usuário”, relata. 

O fracionamento também interfere na forma como as apreensões aparecem nas estatísticas. Como se tratam de pequenas porções, o aumento de apreensões parece pequeno, mesmo quando há um número maior de unidades recolhidas. “Acaba não sendo um número considerável se fosse tratar em quilos. Mas em quantidade, por exemplo, de unidades de pedras, isso aumentou”, analisa. 

Outro desafio, segundo o militar, é a “migração” das atividades relacionadas ao tráfico conforme a atuação policial. Quando há uma ação mais intensa dos agentes de segurança em determinado ponto, relata, o tráfico se desloca para proximidades. 

“Se nós tivéssemos, por exemplo, um policiamento permanente na Praça Tiradentes, uma equipe de dez policiais ali, por exemplo. Para a gente conseguir manter esses policiais ali diariamente, precisaria de 50, esses 50 iriam sair de algum lugar. E esse crime que está ali ia se afastar”, narra, concluindo que o fenômeno do tráfico é de um enfrentamento “complexo”. “Esse crime se movimenta e nós vamos atuando da forma que conseguimos para combater. É um problema mundial”. 

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