Escolhida como prioridade número 1 do bairro Santa Felicidade no Fala Curitiba 2024, a situação às margens do Rio Cascatinha, na Rua Joana Ema Dalpozzo Zardo, está ainda pior dois anos depois. O cenário, segundo moradores, se agravou em relação ao período em que a demanda foi eleita como principal pelo bairro. As fortes chuvas registradas em Curitiba nesta terça-feira (03/02) geraram uma preocupação ainda maior em moradores: “Eu achei que ia cair tudo ali”, relatou uma moradora para a Tribuna.
O trecho mais crítico fica em frente à casa de Helena Nogueira Borges. O terreno onde ela mora com a família está no meio da quadra, próximo ao ponto em que o rio passa por entre as residências. Ao longo da via, a partir da Unidade Básica de Saúde (UBS) Pinheiros, as calçadas foram construídas sobre o canal do rio, como uma espécie de ponte.
Quando o volume de água aumenta, o Rio Cascatinha transborda e passa por cima das calçadas. Em frente à casa de Helena, uma das estruturas já cedeu. Outra apresenta sinais de comprometimento, o que coloca em risco a construção e a segurança dos moradores.
“Fico pensando que na próxima chuva forte que der, quando passar por cima do rio, vai arrancar tudo. Faz dois anos e quatro meses que estamos reclamando e até agora nada”, relata Helena. A situação também impacta ao menos quatro outras casas da rua.
A chuva desta terça-feira, que chegou a um acumulado de 71 mm em determinadas áreas de Curitiba, trouxe ainda mais preocupações para Helena. “Veja o barulho que faz, hoje eu achei que ia cair tudo ali”, relatou para a Tribuna. Confira abaixo o vídeo:
Por motivos semelhantes, Marcos Valmor Oliveira decidiu colocar a própria casa à venda. Ele afirma que, desde que mora na região, o problema é alvo de reclamações frequentes junto à Prefeitura há pelo menos dois anos. Segundo ele, no entanto, os transtornos se arrastam há cerca de 15 anos.
De 2024 para 2026
No Fala Curitiba 2024, moradores de Santa Felicidade elegeram a obra na Rua Joana Ema Dalpozzo Zardo como a principal prioridade para a destinação de recursos da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025. A proposta recebeu 355 votos da população.
Das dez propostas escolhidas como prioridade pelo bairro, cinco já foram atendidas. Ao todo, seis demandas eram de responsabilidade da Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop), que atendeu duas delas.
Segundo os moradores, o diálogo com a administração municipal tem sido difícil, principalmente pela falta de atualizações sobre o que será ou não executado na região. “Parece que ficou só na conversa”, resume Marcos.
Para quem convive diariamente com o problema, a promessa de um projeto maior não tem se traduzido em soluções práticas. Além de uma intervenção definitiva, os moradores pedem ao menos uma medida paliativa até a conclusão das obras. “Sei que a obra é muito cara. Pelo menos se a Prefeitura limpar aquele rio em toda essa altura, já melhora bastante”, afirma Marcos.
E aí, Prefeitura?
Na página do programa, a Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop) informa que o projeto está na fase de elaboração do Termo de Referência. O custo inicial previsto é de R$ 150 mil. O último status disponível indica que o projeto de contenção de margens segue nessa etapa, com licitação do projeto estimada para julho de 2026.
Em resposta à Tribuna, a Prefeitura de Curitiba afirmou que a elaboração do projeto está na fase final. Segundo a administração, essa etapa contempla os estudos técnicos necessários para a contenção do processo erosivo às margens do Rio Cascatinha, o que é considerado fundamental para a posterior contratação da obra.
“Naquele local será necessário execução de uma intervenção de maior complexidade, uma vez que o local apresenta limitações significativas de espaço para execução, tanto em largura quanto em altura, além de características geológicas desafiadoras. Levantamentos preliminares indicam a presença de solo bastante rochoso, o que impede a adoção de soluções mais simples”, diz a nota.
A Smop afirma que segue trabalhando na análise de alternativas e na definição da melhor solução de engenharia para corrigir de forma definitiva o processo de erosão e garantir a segurança das residências do entorno. A Prefeitura reforça que os esforços estão concentrados para viabilizar a intervenção com responsabilidade técnica e eficiência.
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