A tradicional Corrida de São Silvestre, que acontece anualmente em São Paulo no último dia do ano, alcança um marco histórico em 2025: sua centésima edição. O evento, que se tornou um símbolo da virada de ano na capital paulista, bate recorde com mais de 50 mil corredores inscritos.
Idealizada pelo jornalista Cásper Líbero em 1925, após uma viagem inspiradora a Paris, a São Silvestre rapidamente se consolidou como a corrida de rua mais famosa do Brasil. Eric Castelheiro, diretor-executivo da prova, conta que Líbero ficou encantado com uma corrida noturna na capital francesa e decidiu trazer o conceito para São Paulo.
A primeira edição contou com apenas 48 participantes, que percorreram 8,8 km pelas ruas paulistanas. O vencedor foi Alfredo Gomes, atleta negro que já havia representado o Brasil nas Olimpíadas de 1924. Desde então, a prova só deixou de acontecer em 2020, devido à pandemia de Covid-19.
Ao longo de sua história centenária, a São Silvestre passou por diversas transformações. Inicialmente restrita a atletas brasileiros, a corrida se internacionalizou em 1945, atraindo competidores de todo o mundo. As mulheres só foram incluídas em 1975, com a alemã Christa Valensieck sendo a primeira campeã feminina.
A prova se tornou palco de momentos marcantes para o esporte nacional. Em 1980, José João da Silva quebrou um jejum de 34 anos sem vitórias brasileiras, emocionando o país. “Foi como uma Copa do Mundo. O povo queria invadir e foi contido pela polícia”, relembra o ex-atleta.
Outros nomes como Marilson Gomes dos Santos, tricampeão da prova, e Maria Zeferina Baldaia, vencedora em 2001, também se tornaram ídolos nacionais após seus feitos na São Silvestre. Suas histórias de superação inspiraram gerações de corredores amadores e profissionais.
Atualmente, a corrida é aberta a todos os públicos, com categorias para atletas de elite, amadores, cadeirantes e pessoas com deficiência. A organização em ondas permite que competidores de diferentes níveis participem do evento de forma segura e organizada.
Para Martha Maria Dallari, atleta e personal trainer, o grande diferencial da São Silvestre é sua capacidade de unir pessoas e conectá-las com a cidade. “Quando você corre a São Silvestre, você passa por alguns dos lugares mais bonitos da cidade. É uma forma de se conectar com a história e com os pontos históricos de São Paulo”, destaca.
Com sua centésima edição, a Corrida de São Silvestre reafirma seu lugar como um dos eventos esportivos mais importantes e democráticos do país, reunindo atletas de elite e amadores em uma celebração única do esporte e da superação humana.
