Há duas décadas, o bairro de Vígolo, em Nova Trento, a 86 quilômetros de Florianópolis (SC), passou a receber um fluxo crescente de devotos após a inauguração do Santuário Santa Paulina, um dos principais destinos de turismo religioso do país.
Rotas conhecidas como Caminhos da Fé cortam Santa Catarina e conduzem milhares de peregrinos ao santuário, consolidando o município como uma das principais referências de peregrinação religiosa no Brasil. A história do local está ligada à trajetória de Amábile Lúcia Visintainer, conhecida como Madre Paulina.
A religiosa nasceu na Itália, imigrou para o Brasil ainda criança e na juventude fundou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Ela foi reconhecida como santa pela Igreja Católica.
Santuário Santa Paulina celebra 20 anos e reforça missão de acolhimento
O ano de 2026 marca o jubileu de 20 anos da dedicação do Santuário de Santa Paulina, reconhecido como o segundo maior polo de turismo religioso do Brasil, atrás apenas do santuário nacional de Aparecida (SP), de acordo com a arquidiocese de Florianópolis.
“Celebrar 20 anos é trazer dentro do coração o reconhecimento. A gratidão verdadeira começa com o ato de reconhecer a providência e o cuidado de Deus através deste lugar”, afirmou dom Onécimo Alberton, bispo auxiliar de Florianópolis.
O bispo aponta que o santuário é mais do que uma obra arquitetônica. “Aqui as pessoas encontram leveza para retornar para a missão com o coração curado e transformado”.
Para a celebração do aniversário foi escolhido o tema “Santuário – tenda de acolhida e escuta” e o lema “Passo a passo, sempre em frente”, frase de santa Paulina que motiva os peregrinos. De acordo com a arquidiocese, o santuário recebe mais de 75 mil visitantes por mês.
Fiéis percorrem até 63 quilômetros rumo ao Santuário Santa Paulina
Para muitos romeiros, a peregrinação começa antes da chegada ao templo. Fiéis percorrem rodovias, estradas rurais e trilhas da região como parte da manifestação de fé. Um dos trajetos mais conhecidos liga municípios como Brusque a Nova Trento em caminhada de 16 quilômetros.
Também há rotas que partem de cidades como Itapema (50 km), Itajaí (60 km) e Camboriú (63 km). De acordo com a direção do santuário, as caminhadas reúnem pessoas de diferentes idades.
Os participantes enfrentam longas distâncias, baixas temperaturas nas primeiras horas do dia e o desgaste físico da jornada. Muitos realizam o percurso para cumprir promessas, agradecer graças alcançadas ou fazer pedidos relacionados à saúde, à família e à vida pessoal.
“Este espaço sagrado nasceu para acolher os peregrinos e representa a vida, a obra e o legado da primeira santa do Brasil”, pontuou a superiora geral das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. O complexo ocupa uma área cercada por vegetação nativa, trilhas ecológicas e cachoeiras.
O espaço reúne locais destinados à oração e ao contato com a natureza. No interior da igreja, os visitantes encontram uma relíquia de Santa Paulina, instalada no altar, e uma urna destinada ao depósito de pedidos e mensagens deixadas pelos romeiros.
Santa Paulina transformou a caridade em legado de fé
O santuário também mantém iniciativas voltadas ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade. As ações utilizam como referência uma das frases atribuídas à santa: “Nunca, jamais, desanimeis, embora venham ventos contrários”.
A programação do jubileu teve o ápice em 12 de julho, quando o santuário realiza a 35ª Festa Litúrgica de santa Paulina. A data foi escolhida por ser o domingo mais próximo ao dia da morte de Santa Paulina.
“Celebrar 20 anos da dedicação deste santuário é reconhecer que ele se tornou uma verdadeira tenda de escuta para o povo de Deus”, diz a diretora do santuário, Helena Rosa.
Nascida em 1865 no norte da Itália como Amábile Lúcia Visintainer, santa Paulina chegou ao Brasil em 1875 com a família e se estabeleceu em Vígolo, distrito de Nova Trento (SC). Em 1890, fundou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição após iniciar, ao lado de Virginia Nicolodi, o atendimento a uma mulher com câncer em um casebre abandonado.
A iniciativa deu origem a uma obra voltada ao cuidado de pessoas em situação de vulnerabilidade. Santa Paulina morreu em 9 de julho de 1942, aos 76 anos, em São Paulo, com reconhecimento por sua vida dedicada à fé, à esperança e à caridade.
Em 2002, o papa João Paulo II canonizou a religiosa após o reconhecimento do milagre atribuído à sua intercessão: a cura de Iza Bruna Vieira de Souza, nascida no Acre com uma grave malformação cerebral. Desde então, ela passou a ser oficialmente chamada de santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus.
Curiosidades sobre o Santuário Santa Paulina
- O santuário levou 924 dias para ser construído. Tem uma área total coberta de 6.925,56m².
- A geometria do projeto remete ao formato de duas mãos em prece ou ainda de uma tenda, lembrando a itinerância dos peregrinos.
- As vigas de concreto pesam 850 toneladas e as de aço 650 toneladas. O alumínio usado na fabricação das telhas duplas foi de 60 toneladas. Os bancos compreendem 2 mil metros de extensão. No isolamento acústico foram usados 95 mil blocos de tijolos.
- O santuário capta, trata e distribui água aos seus peregrinos com supervisão técnica sistemática, bem como executa o tratamento de esgoto com mão de obra qualificada.
- A área de estacionamento é de 14mil m².
Fonte: Santuário Santa Paulina
