A quadrilha presa nesta quarta-feira (29) na Operação Zebra teria movimentado cerca de R$ 100 milhões por ano, mas só declarava 6% desse total ao Imposto de Renda, informou a Polícia Federal. Com centro em Pernambuco, o grupo é acusado de usar loterias eletrônicas como fachada para lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. A PF prendeu 12 pessoas no Estado nordestino e uma no Rio, além de um jatinho, um helicóptero, duas lanchas e pelo menos R$ 800 mil em dinheiro.

Dono da rede de loterias Monte Carlo e apontado pela PF como o chefe do esquema, Carlos Alberto Ferreira da Silva, de 48 anos, foi preso na sua residência no bairro recifense de Boa Viagem. A ele pertence a maioria dos bens apreendidos e seqüestrados, que incluiu ainda 20 veículos e 10 imóveis. Os outros presos foram sócios, advogados, um gerente e a tesoureira da rede, além de parentes que funcionariam como laranjas. Os presos em flagrante foram um policial e um vigilante.

As investigações tiveram início há quatro meses quando foram apreendidos com Carlos Alberto Ferreira da Silva um notebook e R$ 753,2 mil em espécie, quando ele desembarcou no Aeroporto dos Guararapes, em Recife, vindo de São Paulo. O grupo também tinha duas fábricas de caça-níqueis, uma em Pernambuco – voltada para o mercado do Nordeste – e uma em São Paulo – para o Sudeste.