O Ministério do Trabalho e Emprego incluiu 169 novos empregadores na lista de trabalho análogo à escravidão, divulgada nesta terça-feira. Entre os nomes está a montadora chinesa BYD, que opera em Camaçari, na Bahia, e o cantor Amado Batista. A lista agora conta com 613 nomes, um aumento de 6,28% em relação à atualização anterior.
O que levou a BYD a entrar na lista de trabalho escravo?
A fiscalização do Ministério do Trabalho identificou 471 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular ao Brasil pela montadora. Desses, 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão durante a construção da fábrica em Camaçari. A empresa foi responsabilizada diretamente pela vinda irregular dos trabalhadores e por fraude às autoridades migratórias brasileiras.
Quais eram as condições de trabalho encontradas na obra da BYD?
Os trabalhadores dormiam em camas sem colchão, guardavam pertences misturados com ferramentas e alimentos, e havia apenas um banheiro para cada 31 pessoas. A água consumida vinha direto da torneira sem tratamento. As cozinhas funcionavam em ambientes insalubres, com alimentos próximos a materiais de construção, e a maioria fazia refeições na própria cama.
Como era a jornada de trabalho imposta aos funcionários?
A jornada era de no mínimo 10 horas diárias, sem folgas regulares. Um trabalhador acidentado relatou estar há 25 dias sem descanso. Os funcionários precisavam de autorização até para ir ao mercado, caracterizando restrição à liberdade de locomoção. Foram identificados diversos riscos à saúde e segurança, levando ao embargo de escavações e interdição de equipamentos sem proteção.
Qual foi a punição aplicada à montadora chinesa?
Em janeiro deste ano, a BYD fechou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público do Trabalho no valor de R$ 40 milhões. A fiscalização ocorreu entre dezembro de 2024 e maio de 2025, com inspeções na obra e nos alojamentos. A fábrica, inaugurada em outubro de 2025, recebeu investimento de R$ 5,5 bilhões para produção de veículos elétricos e híbridos.
Por que Amado Batista também foi incluído na lista?
O cantor e empresário do agronegócio foi autuado após fiscalizações em 2024 que identificaram 10 trabalhadores em condições análogas à escravidão no Sítio Esperança e no Sítio Recanto da Mata. Foram constatadas jornadas exaustivas e alojamentos precários. Segundo sua assessoria, foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta com o MPT e as obrigações trabalhistas já foram quitadas.
Fonte: Agência Brasil



