Brasília – O chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República, Aldo Rebelo, está prestes a entregar os pontos. O calendário dele contabiliza esta semana um ano de bombardeio intenso por parte de ministros, líderes e dirigentes do PT que querem a cadeira de ministro. Diante da insistência dos ataques e da descrença generalizada entre os aliados de que a situação vá melhorar, Rebelo revela-se cansado e não disfarça o desconforto. ?E aí, Aldo, como está??, perguntou um líder da base governista que lhe telefonou ontem. ?Está tudo muito ruim?, devolveu o ministro, sem rodeios.

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Um amigo de Rebelo que acompanha o drama pessoal dele na articulação política conta que ele tem consciência de que sofre ?um desgaste tremendo? e também ?queima um patrimônio político?, construído a duras penas na liderança do governo e no ministério. Mas, a despeito da lealdade e da disciplina do ministro comunista, até os mais firmes aliados dele no PMDB do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (AL), admitem que a luta pela permanência no cargo ?a qualquer preço? não faz sentido.

Tanto Calheiros como os líderes dos partidos da base, como José Janene (PP-PR), sempre ponderaram da necessidade de os aliados terem um ministro ?neutro?, que possa arbitrar conflitos que envolvam interesses do PT e de outra legenda que dá sustentação ao governo no Congresso. Agora, porém, questionam se não seria mais eficaz, do ponto de vista do relacionamento dos aliados com o governo, deixar que o PT emplaque o candidato a coordenador político. De preferência, que seja o chefe da Casa Civil, José Dirceu.

?A cultura política que predomina hoje, no Congresso, é a de que o ministro Dirceu é quem resolve tudo?, revela Janene. Talvez por isto mesmo, a cúpula petista que se reuniu em café da manhã na casa do chefe da Casa Civil, na sexta-feira (06), tenha fechado com o nome dele para assumir o lugar de Rebelo. Mas o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) também foi lembrado por um grupo expressivo do PT que trabalhou por ele nos últimos seis meses. 

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